TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

02
Abr 20

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Não tendo nenhum livro infantil editado, deixo aqui uma história para os mais pequenos, sempre com uma piscadela de olho aos mais crescidos.

O prédio que não quis crescer

Por Miguel Teixeira

 

Aquela fieira de prédios altos e majestosos, muitos deles a tocarem os céus, só era diferente de todas as outras fieiras de prédios, igualmente altos e majestosos, por uma pequena, mínima, razão, que quase nem se dava por ela. No meio dos seus gigantes irmãos, um minúsculo prédio, quase insignificante, mantivera a sua baixa estatura, resistido à tentação de crescer, de acompanhar os seus vizinhos naquela louca corrida às alturas. E de tal forma mantivera essa sua ideia – muito à conta de uma enorme teimosia - que já ninguém sequer tentava falar sobre o assunto. Passara a ser natural para todos os outros, viver paredes meias com uma “amostra de prédio”, como ainda lhe chegaram a chamar. Provocações a que não deu qualquer importância, convencido que estava da sua ideia fixa de ser assim mesmo, pequeno. Nada o mudara antes, da mesma forma que nada o iria mudar agora. Passados os piores momentos - aqueles iniciais em que a sua teimosia muitas discussões provocara – todos viviam agora em perfeita harmonia e plenamente convencidos de que assim seria para todo o sempre. Havia, no entanto, um prédio, a alguns quarteirões de distância, que ainda hoje não se conformava com esta situação, na sua opinião, ridícula. Por que razão aquele prédio se recusara a acompanhar o crescimento dos seus irmãos? Que estranha ideia o levara a tomar tão insólita decisão? Não querendo dar parte fraca – mas remoendo aquele assunto todos os dias, durante anos a fio – o inconformado prédio, de duzentos e trinta e três andares, lá se decidiu a questionar o parente que ele próprio considerava muito afastado.

  • Ouve lá, ó pequenote.
  • Estás a falar comigo?
  • Claro que estou a falar contigo. Vês aqui mais algum prédio a que possa chamar pequenote? – perguntava o enorme arranha-céus, agora todo encurvado como única forma de se chegar mais perto.
  • Não gosto que me chamem nomes associados ao meu tamanho.
  • Tudo bem, é justo. Não volto a fazê-lo. Mas há uma coisa que me tem dado a volta à telha e que gostava de esclarecer contigo.
  • Muito bem, fala.
  • Tem a ver com a tua altura.
  • Pois que outra coisa poderia ser! – desabafou – Conta-me lá então o é que tem a minha altura? – questionou em resposta, preparando-se para argumentar o que tantas vezes já repetira a outros curiosos como ele.
  • É que é muito baixa.
  • Pois é. E isso incomoda-te?
  • Não, incomodar não me incomoda. Mas, digamos, faz-me alguma confusão.
  • Faz-te confusão?
  • Sim, faz-me confusão porque é que tu não queres ser alto como todos nós. Tu alguma vez tocaste os céus ou experimentaste a sensação única que é ver tudo lá bem do alto?
  • Não, nem preciso.
  • Fazes ideia da vista espantosa que todos temos lá de cima e que tu, aqui de baixo, nem imaginas?
  • Mas quem é que te disse a ti que a vista que tenho aqui de baixo não é tanto, ou mesmo mais espantosa, do que a que tu tens lá de cima?
  • Essa agora! Como é que isso é possível?
  • Eu digo-te. Vocês cresceram, uns mais do que os outros, mas sempre com o objectivo de se afastarem cá de baixo. Tornaram-se altivos, frios, distantes e convencidos de que a vossa estatura era o que mais interessava. Mas enganam-se. Todos. O melhor da cidade está aqui em baixo, nas ruas. Porque o melhor da cidade são as pessoas e elas movem-se aqui, a dois passos de mim. Passeiam, correm, zangam-se, convivem, riem, choram, falam, tudo aqui, bem pertinho de mim. Sente-se o calor humano cá em baixo, não lá em cima. E isso sim, é o que verdadeiramente importa. Por um acaso vocês lá nas alturas têm essa visão?
  • Das pessoas? Não, lá de cima elas são... minúsculas. Quase tanto como tu.
  • Lá está! Percebes agora porque é que eu nunca quis crescer como todos vocês?
  • Acho que sim.
  • Como é que eu assistia a todo este espectáculo humano, a toda esta vida que pulsa a cada segundo na cidade, se estivesse lá no alto como vocês?
  • Tens razão. Nunca tinha pensado nisso.

E posto isso, despediu-se, convencido, como todos os outros antes dele. O alto e majestoso prédio, de muitos e muitos andares, regressou à sua posição vertical, compreendendo agora as razões que haviam levado aquele pequeno prédio a recusar-se a crescer. A recusar-se a ser mais um arranha-céus vaidoso e apenas preocupado em tocar o céu, esquecendo que o mais importante, e única razão da sua existência, vive cá em baixo, com os pés bem assentes na terra.

 

FIM

publicado por migalhas às 21:40

02
Abr 19

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Celebra-se hoje o Dia Internacional do Livro Infantil, efeméride instituída em 1967 e no preciso dia em que se assinala também o nascimento de Hans Christian Andersen, escritor dinamarquês e poeta de histórias infantis.

Que livros marcaram a nossa infância, bem pode ser um desafio à nossa mente no sentido de nos fazer recuar aos tempos em que os sonhos nos comandavam a vida. No que a mim diz respeito, dois heróis "enchiam-me" as medidas nessa época que parece que ainda foi há uns dias atrás. Foram eles Tarzan e Sandokan, o tigre da Malásia. Quem não os recorda também.

Mas outros houve e aqui neste texto ficam alguns dos que, com certeza, são comuns à maioria: 

https://bertrandptsomoslivros.blog/2019/04/02/7-livros-que-marcaram-a-nossa-infancia/

Boas leituras, sejam elas infantis, infanto-juvenis ou para gente, dita, mais crescida.

publicado por migalhas às 20:00

07
Mar 19

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Março, marçagão, bons livros para ler não faltarão. Assim é, de facto, a ver pela lista apresentada no link que a seguir disponibilizo, seja em matéria de ficção, não-ficção, infanto-juvenil e os demais rótulos que hoje sirvam para catalogar o que vá sendo alvo de edição. Em mês de chegada da Primavera, vamos acolhê-la com um bom livro por companhia. Tenham pois um Março recheado de boas leituras.

https://observador.pt/2019/03/05/tome-nota-estes-sao-os-lancamentos-de-marco-2/

publicado por migalhas às 20:00

21
Dez 18

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Não só em tempo de Natal, mas também, oferecer um livro a uma criança deveria ser quase obrigatório. É que ler estimula a criatividade, a imaginação e transporta-nos para cenários quantas das vezes impensáveis dentro de um simples livro. E faz crescer, na ânsia de poder ler sempre mais e dedicar a esse prazer tempo sem fim, assim fosse possível.

Este Natal há uns quantos títulos que devem ser ponderados, pois brincam com as palavras e com o medo do escuro, falam de animais, de pessoas, do país e do planeta, num conjunto que prova que o melhor presente a oferecer pode mesmo ser um livro.

Vejam aqui as sugestões do Observador e boas leituras para a pequenada: 

https://observador.pt/2018/12/13/20-livros-infantis-para-oferecer-neste-natal/

publicado por migalhas às 20:00

04
Dez 18

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How do we talk to children about refugees, immigrants, and all the related issues dominating the news?

Esta questão é em parte respondida graças ao poder da literatura. Neste caso, juvevil, ou infantil mesmo. Pois é cada vez mais urgente cedo alertar e informar os mais pequenos para este gigantesco problema global. Quem sabe para um dia um deles, ou todos, contribuírem para a sua resolução definitiva. Aqui ficam alguns títulos que, espero, em breve nos possam ser também acessíveis na nossa língua.

https://www.booklistreader.com/2018/12/03/bookends-childrens-literature/understanding-immigration-and-the-refugee-experience-through-picture-books/

publicado por migalhas às 18:00

09
Jun 17

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O único livro infantil escrito por William Faulkner, "A Árvore dos Desejos", já embeleza as livrarias um pouco por todo o país. Publicado pela primeira vez em Portugal, pela editora Ponto de Fuga, esta relíquia conta com as ilustrações originais de Don Bolognese. Diria que é mais um a não perder.

publicado por migalhas às 20:00

07
Abr 17

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Este piolho e outras sete novidades para os mais novos surgem no seguimento do Dia Internacional do Livro Infantil, celebrado anualmente no dia 2 de Abril. Este já lá vai, mas ficam as sugestões de leitura que, com certeza, irão agradar a miúdos e, falo por mim, igualmente a graúdos. Boas leituras!

 

http://observador.pt/2017/04/02/7-novidades-para-celebrar-o-dia-mundial-do-livro-infantil/

publicado por migalhas às 20:00

06
Mar 17

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Março já vai a caminho, mas nunca é tarde para lembrar o que aí vem em matéria de lançamentos literários. Muitos e bons, é o que se quer, haja tempo para lhes dar a devida resposta. Com mais ou menos disponibilidade, a verdade é que se encontra sempre um tempinho para folhear um ou outro livro e assim embarcar nesses outros mundos que existem para lá de cada capa, ao longo das páginas que as enriquecem e lhe dão conteúdo, aquele que também muitas vezes nos serve de alento, esteja frio ou faça calor. Posto este relambório, actualizem-se e façam já as vossas selecções, pois o que não falta é por onde escolher. E boas leituras.

http://observador.pt/2017/03/02/tome-nota-estas-sao-as-novidades-literarias-de-marco/

 

publicado por migalhas às 20:00

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