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TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

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Refugiadas

por migalhas, em 05.12.25

Seguem-se numa fila silenciosa

Unidas pelo destino

Travessia de vida que parece não ter fim

Sem poiso ou descanso do corpo

Todas por igual, a sofrer do mesmo mal

Arrastam-se, como seres que já morreram

Como trapos que o vento leva a seu belo prazer

Farrapos de gente que de gente já nem memória

Vão por que sim, sem saberem para onde

Que o porquê há muito esqueceram

Fome, sede, angústia

Frio, cansaço, desilusão

Já nem pestanejam, já não pensam

Conformadas em fila seguem

Mães e filhas e filhas sem mães

Desgovernadas

A esta vida agarradas, por pinças

Avançam, mas é para trás que ficam

As memórias, quem eram

as cantigas, com que um dia adormeceram

As mesmas que cantaram de cor

As alegrias, se é que as tiveram

Estas refugiadas sem terra

Sem eira nem beira

Ao Deus dará

houvesse um Deus que lhes apontasse o caminho

 

© Copyright Miguel Santos Teixeira (2024)