a ver
por migalhas, em 23.12.25
Já não sei o que sentir
se chore ou desespere a rir
que este ser sem certeza
que esta estranha tristeza
fala mais, sente mais
que qualquer gesto que tente exprimir
neste sufocante esgrimir
de razões, de causas e efeitos
de peso excessivo neste peito
cansado, rendido, desfeito
onde um dia viveu orgulho
entretanto desalojado
há tempo demasiado
E o que ficou foi este existir oco
de forma e feitio
a arrasto das horas vagas
ao sabor dos dias a fotocópia
sem ritmo cardíaco
sequer pulso
a moribundar por aí
a ver passar
a ver acontecer
a ver, tudo à volta ser.
© Copyright Miguel Santos Teixeira (2024)