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TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

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é o mar

por migalhas, em 27.07.23

olhei um dia o mar

com tal fulgor dele me abeirei

senti-lhe a chama, sugou-me a alma

imenso aroma de quem me ama

 

o seu cerne eu violei

no seu âmago me encontrei

tudo o que é imenso ele contém

capa, miolo, errata

paixão eterna, eterno desdém

 

olhei um dia o mar

infinita carapaça que banha este lugar

reticência constante do meu olhar

aqui onde existe também terra e céu

um quarto de esperança, uma sala com vista

as faces da lua

 

mas é o mar

esse espelho que me acolhe e me devolve

num reflexo sem par

 

© Copyright Migalhas (100NEXUS_2013)

d'amor!

por migalhas, em 12.07.23

“De quantos encontros se faz uma vida De quantos

Duplo de mim

por migalhas, em 10.07.23

Há um duplo de mim

Igual, tal e qual

Que espreita a cada esquina

Me olha e copia

Mas que em pouco ou nada se associa

Ou de mim sequer se aproxima

 

Esse duplo

Que dizem existir

É esforçado, lá isso é

Assemelha-se, aqui e ali

Mas fica-se por aí

Qual cópia de mim!

Nem nada que se pareça

Que o tire da cabeça!

 

Uma mera contrafacção

Um artigo em segunda mão

A fazer-se passar pelo original

Mas tristemente igual

Nem cuspido, muito menos escarrado

Tão longe está

Mais longe fica

Quando comparado

Ele, que nem ares dá

Pobre coitado

 

Que como eu, só mesmo eu

Irrepreensível peça única

sem volta a dar

Ou forma de copiar

Louvada joia

Entre os seus pares

 

© Copyright Migalhas (100NEXUS_2023)

Cormac McCarthy. O brilho sombrio de um poeta lírico do horror e do caos.

por migalhas, em 14.06.23

Captura de ecrã 2023-06-15, às 18.28.25.png

 

Nenhum outro romancista moderno era tão apegado ao sublime apocalíptico quanto Cormac McCarthy, que morreu aos 89 anos em sua casa no Novo México. Ao longo de uma carreira na ficção, que gerou 12 romances, duas peças de teatro e uma série de excelentes adaptações para o cinema, a musa de McCarthy sempre foi o abismo. Ele escreveu sobre a escuridão, a violência, o horror e o caos que percebeu no centro de toda a criação – não com o terror histérico de HP Lovecraft, mas com um lirismo extático mais parecido com o de poetas místicos muçulmanos louvando arrebatadamente seus santos amados.

- in theguardian.com