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TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

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Faces da vida

por migalhas, em 10.07.07

As faces de um dado, as faces da lua, as faces de qualquer moeda. São incertas umas, sequenciais outras, mas todas pródigas em consequências. Acontecem, aleatoriamente ou não, e nesse instante geram, originam, fazem acontecer. Numa roda-viva de sorte ou de azar, incontrolável mesmo naquela que se supõe evidente. Nada o é. Nunca o é. Trabalha na obscuridade, como um dissidente, um procurado. Serve-se das trevas e bate em retirada mal dissemina a sua febre maléfica. A maldade a meias com a vontade de surpreender. De ver reacções e com elas vibrar, face ao que é seu poder fazer acontecer. Joga-se na mão da fortuna uma e outra aventura. Quantas dão certo? Quantas imensamente mais dão aquilo que é inesperado? Numa onda de suposições, de nada nos valem as suas avaliações. Meros prognósticos a tentarem a sorte numa adivinhação sempre incerta, impossível no seu conteúdo. Não temos mão no futuro. Não existe bola de cristal que nos permita um vislumbre do que está para ser. Do que está além daquilo que hoje é. Somos o que somos. Poeira cósmica, pequenos, ínfimos, e é assim que devemos viver. Ou continuar a ser. Sem a presunção de que algo mais possa acontecer. Algo superior a nós, algo apenas digno dos deuses que nos viram nascer e, certamente, nos verão perecer. São estas as cartas. Aquelas com que nos compete crescer. E mais não devemos temer, apenas jogá-las ao sabor do que a consciência nos recomenda e deixar a vida fluir por si, rumo ao que só ela sabe ter para nos oferecer.