TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

21
Fev 07

4 São os dias a ele dedicados. E é quando não se começa logo pela sexta-feira à noite. Ainda me lembro dos tempos em que a semana que o antecedia era já ela um desfile, um prognóstico bem fiável do que estava prestes a acontecer. Um deslumbre para os olhos e uma sensação de muita dedicação e amor à causa, para o coração. Bastava sair de casa e percorrer meia dúzia de metros, para logo nos depararmos com máscaras fantásticas, plenas de criatividade, confeccionadas ao pormenor, elaboradas sem mácula, um mimo, que só visto. Depois, eram os grandes desfiles. Convidados vindos quase sempre do nosso país irmão para animar os cortejos, centenas de veículos alegóricos à desgarrada, animando as ruas por onde se expunham depois de trabalhados com afinco semanas, por vezes meses, antes do dia D. A contagiante alegria das gentes, a animação incessante de uma vida que, por norma, são dois dias, mas que nesta época passa a 3, a 4 ou mesmo mais, se contabilizarmos ainda a quarta-feira de cinzas. É destes tempos que eu me recordo, embora, muito sinceramente, nunca tenha dado grande “troco” a esta data, que a mim pouco me diz. Ainda assim, acabava por senti-la e, algo levado por arrasto, vibrava um pouco com ela. Hoje, um dia após o último carnaval, a verdade é que nem sequer me lembro de por ele ter dado. É certo que vi uma ou outra criancinha decorada, não mascarada, pois quase todas as que assim se mostravam vinham mal amanhadas, envergando fatiotas sem grande convicção, como que antevendo um fim próximo para esta comemoração, cada vez menos alvo disso mesmo. Devo dizer que, a mim, ao contrário dos grandes foliões e adeptos ferrenhos da paródia, tal facto não me causa grande mágoa, a sério que não. Isto, claro está, desde que não decretem que por falta de interesse do povo ou fraca adesão às festividades, este deixe de ser dia feriado. Isso sim, provocaria um lógico descontentamento generalizado na populaça, desde sempre habituada a gozar este dia em família, mascarada ou não. Fica portanto o aviso para esses senhores que todos os dias se mascaram de palhaço (sem ofensa para os verdadeiros palhaços, que fique bem claro) ali para os lados de São Bento, que não se ponham com ideias parvas. Por que se o número de adeptos da alegria e da boa disposição têm vindo a decrescer, a culpa é essencialmente deles e das medidas de constantes contenções com que tentam mascarar a sua incompetência inapta para resolver as questões de fundo do país e que todos os dias nos servem de bandeja como se fossem grandes feitos. É que farto de andar mascarado de preto e de explorado todo o ano, estou eu. Eu e muito provavelmente todos aqueles para quem o carnaval já há muito tempo perdeu a graça.

publicado por migalhas às 11:29

Faltaram-te as sapateiras, não foi?
Ana a 21 de Fevereiro de 2007 às 12:26

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