TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

26
Out 06

Numa época em que cada vez se escreve pior, em que os erros de português abundam e pouca ou nenhuma importância se dá à escrita, é agradável assistir a campanhas como aquela que actualmente o Millennium bcp tem no ar. Não está em causa se a mesma tem piada ou não. Assim como não está em causa a boleia que resolveu apanhar do sucesso obtido pelos Gato Fedorento, fazendo uso de uma figura igualmente de proa no contexto da stand-up comedy em Portugal. Nada disso se questiona. O que a mim me faz alguma “comichão”, é o facto de uma instituição responsável como o Millennium, que se assume como mecenas cultural e que, por isso mesmo, dedica às artes e cultura uma atenção bem para lá de especial, se associar à degradação que grassa entre a juventude ao nível da nossa língua mãe, colando-se a uma vertente errónea da escrita hoje muito em voga entre a camada mais nova em virtude do uso e abuso dos telemóveis, em particular das mensagens escritas, vulgo sms. Ao aprovar um headline onde consta a palavra “queres” escrita com um K (keres, portanto) esta instituição perde de vez qualquer credibilidade que deseje comunicar, mesmo sob o pretexto (indesculpável) de querer (ou será kerer?) falar com os clientes mais jovens por via de uma comunicação mais irreverente. Irreverente sim, mas didáctica e instrutiva. Que ensine, que sirva de veículo positivo, que seja um up grade cultural e traga algo mais a quem já sabe tão pouco e pouco se incomoda com isso. Agora entrar na onda do erro e incentivá-lo (tipo, se não podes com eles, junta-te a eles), mostrando claramente que é permitido escrever mal ao dar este péssimo exemplo (pois se o Millennium o faz, por que não o posso eu fazer também), é que me parece em clara oposição com tudo aquilo de positivo (também é bom dizê-lo) que até agora defenderam, propuseram, apoiaram. Os bons exemplos, aqueles que interessa realmente seguir e adoptar no nosso dia-a-dia, cada vez mais falho dos mesmos, devem continuar a vir de cima. Mas com coerência. Pois se a malta hoje já mal consegue interpretar um texto básico, como é que vão interiorizar o que está bem e diferenciá-lo do que está mal? Eu que também trabalho em publicidade, sou da opinião que esta deve servir igualmente de importante veículo didáctico, mais que não seja por que é vista por milhares todos os dias. Pois só assim se pode salvaguardar uma língua que cada vez mais corre risco iminente de vida.

publicado por migalhas às 10:10

Tb QUERO dizer q estou plenamente de acordo ctg !
Ana a 26 de Outubro de 2006 às 10:51

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