Segunda-feira, 18 de Setembro de 2006

Imaginem um grupo de crianças que possivelmente sempre tiveram uma vida de privação, que sempre viveram na maior das pobrezas, completamente delirantes com uma distribuição de prendas provavelmente inédita nas suas vidas. Imaginem a alegria, o entusiasmo, a excitação própria de várias crianças face à oferta de brinquedos com que nunca sequer imaginaram, de guloseimas apenas ao alcance de crianças dos países mais desenvolvidos ou de peças de roupa que nem sequer sabiam existir. Imaginem o clima de festa, o ambiente de boa disposição. Imaginem tudo isto, não é difícil. Difícil é imaginar o que se passou de seguida. Subitamente, sem que ninguém nem nada o fizesse prever, a intromissão do inconcebível. Do inimaginável, do impensável. Um cidadão obcecado pelo ódio cego, um louco sem ponta de compaixão, um animal à solta, que, insensível e alheio à beleza do momento, se propõe a distribuir uma outra oferenda. Uma oferenda de dor, de sofrimento, de tudo aquilo que é banal e que sempre preencheu a vida destas crianças. Um fundamentalista sem outras ambições que não as de ser veículo do mal, joguete nas mãos da morte. Um bombista suicida que despoleta os engenhos que abraçava e que quebra a magia que por momentos ali reinou. Breves voltaram a ser os instantes em que o dia-a-dia conturbado se ausentou para logo retomar o seu posto, qual guardião sempre atento. Pois que esta é uma região do mundo que não merece tréguas, sendo talhada apenas para o negro cenário do terror. Entre mortos e feridos, é a esperança que uma vez mais sucumbe e se vê impedida de brilhar. Não aqui, onde o ideal primário é a vingança, o ódio, a morte. Não aqui, onde o fundamentalismo islâmico se esconde por detrás de uma guerra a que chamam santa, rótulo que a torna permitida e aceitável aos olhos de alguns. Aos olhos cegos daqueles que nada mais vêem do que o proliferar da desgraça humana, do disseminar da tragédia, abrindo caminho a um reino de trevas que pretendem ver vingado sobre a face deste planeta moribundo. E depois têm o descaramento de ficarem ofendidos com a certeira e incómoda verdade que provém das declarações do Papa. Pois fé alguma, religião alguma, justifica o recurso às armas, o recurso à guerra, ao conflito armado, ao derramamento de sangue. O simples conceito de guerra santa é todo ele uma anedota. Pois são termos, conceitos, se quisermos, que não coabitam, não se entendem. Como a água e o azeite não se misturam. Pois um defende a paz, o respeito pelo próximo, o recurso à palavra como resolução de todo e qualquer mal entendido. Enquanto o outro, por si só, diz tudo: guerra é guerra. Aqui ou em qualquer parte do mundo. E isso é fácil de entender. Fanáticos pelo derramamento de sangue, escudam-se num termo patético para justificarem o que não tem qualquer justificação. Matar, destruir, criticar, odiar, é o que de mais fácil existe. E se é isso que certas religiões defendem, então estão uma vez mais a empregar um termo incorrecto. Pois de religioso, esse pensamento deturpado e doentio nada tem.  



publicado por migalhas às 17:42
A Guerra Santa é de facto o cúmulo dos absurdos. A maior das contradições. Infelizmente, julgo que sempre existiu e desconfio que sempre continuará a existir. Pelo menos enquanto for o bicho homem a dominar tudo e todos ao cimo da terra.
É mesmo assustador. E triste.
Marco a 19 de Setembro de 2006 às 09:58

Sim, totalmente antagónico, esse conceito. Para além disso, pq é q se
tem sempre q tentar OBRIGAR as pessoas a seguir det caminho? Religião?
Pensamento? O melhor é ser Ateu mmo !
Ana a 27 de Setembro de 2006 às 15:47

TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.
Setembro 2006
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
13
15
16

17
19
20
21
23

24
25
26
27
28
29
30


facebook
contador
pesquisar neste blog
 
NetworkedBlogs