Sexta-feira, 08 de Setembro de 2006

Cansado de receitas feitas à base de imaginação e essencialmente de matéria-prima disponível no momento, resolvi ir almoçar fora. Há já algum tempo arredado destas andanças pelo mundo da restauração, nem me preocupei muito com a selecção do meu destino. Entrei no primeiro local que encontrei com um mínimo de bom aspecto e sentei-me. Não tive de esperar muito pela chegada do prestável empregado. Com um sorriso que lhe preenchia o rosto de orelha a orelha, estendeu-me a lista e indicou-me os pratos do dia. Afinal as coisas não tinham mudado assim tanto desde a última vez. Uma olhadela rápida pelos pratos disponibilizados e a opção recaiu sobre uns carapauzinhos fritos com arroz de feijão. Solícito, o jovem brasileiro desde logo me advertiu para o valor das taxas extra que ali praticavam.

- Taxas extra? – Perguntei algo sem jeito.

- Sim, sim, é a nova legislação. No seu caso, por exemplo, e uma vez que está cá dentro, terá de pagar uma taxa especial pelo espaço que  está a ocupar e pelo uso do ar que aqui respira, que é taxado ao minuto. Se for lá para fora, para a esplanada, está isento dessa taxa, mas terá de pagar uma outra de deslocação. Da minha deslocação para ali o servir, está a ver?

- Hum...

- Tem também a taxa relativa ao uso da cadeira em que está sentado e da mesa em que será servido, dos talheres e copos que usar e da mão-de-obra do nosso cozinheiro. Isto para lá, claro está, do preço do prato, bebidas e afins que consumir.

- ‘tou a ver. – Saiu-me sem a mínima convicção.

- Posto isto, está preparado para pedir?

O almoço não correu como eu esperava, mas ainda assim conseguir usufruir de uma refeição minimamente acessível. Embora para isso tenha de ter comido na esplanada, em pé e usando como receptáculo dos carapauzinhos fritos e do arroz de feijão um canudo improvisado na hora a partir do jornal que, felizmente, levara comigo. Claro que tive de me servir eu mesmo lá dentro e prescindir de bebidas e sobremesas. De regresso a casa, passei pelo supermercado lá da rua e abasteci-me a valer! Estava agora convencido de que a minha imaginação tinha ainda muito para dar. Principalmente se não houvesse míngua de matérias-primas!



publicado por migalhas às 15:17
Ainda bem q avisas, assim logo ao jantar já levo o meu cartuxo na mão. O melhor é levar 2, um para ti tb ...
Ana a 8 de Setembro de 2006 às 16:09

Só espero que um dia não te revoltes e comeces a cobrar taxa a quem te lê!
;o)
Marco a 11 de Setembro de 2006 às 11:02

TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.
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