Quarta-feira, 06 de Setembro de 2006

Mais uma passagem de olhos pelas últimas notícias e mais um balde de água gelada, patrocinado uma vez mais por este nosso executivo. Desta vez no que respeita à nova lei do tabaco, que proíbe o fumo em bares, restaurantes e discotecas. Uma lei que desde a primeira hora mereceu o aplauso meu e de muitos outros não fumadores que assim acreditavam ser possível que, finalmente, alguém se propusesse a respeitar e preocupar-se com a saúde pública. A coisa foi-se arrastando penosamente e hoje vem a lume que esta mesma lei só deverá entrar em vigor daqui a três ou quatro anos. E qual é a desculpa dada para que tal aconteça? Segundo o nosso ministro da Saúde (?) “Trata-se de uma adaptação à realidade», justificando a decisão com o facto de a maioria dos portugueses considerarem que os bares e restaurantes devem poder escolher se querem ou não ser livres de tabaco. Desde quando o governo dá ouvidos aos portugueses no momento de validar uma lei? E permitir escolher? Então, sendo assim, eu também deveria poder optar por pagar IRS ou não, por pagar sisa ou não, por pagar imposto camarário ou não, imposto automóvel e por aí adiante. Escolher? Numa matéria que mexe claramente com a saúde pública? Este senhor que se diz ministro da saúde deve é ter um belo lobby na indústria farmacêutica. Ou então deveriam arranjar-lhe um outro cargo governamental, talvez de ministro da oncologia. É ridículo este senhor vir agora conceder um período transitório e de adaptação às novas regras, para permitir aos proprietários dos estabelecimentos com uma área superior a 100 metros quadrados decidirem se terão, ou não, espaço para fumadores. Um período transitório de 4 anos? Só mesmo neste país! Desde quando uma lei espera pelos contribuintes para ser aplicada? Só uma lei que não tenha interesses monetários para o governo. Pois pelo que tenho presenciado, publica-se a lei, aplica-se a mesma e dá-se um período de escassos meses para todos se adaptarem. E quem estiver mal, que se mude. Com medidas destas, parece-me que esta será claramente uma lei para ser esquecida. E depois venham falar do aumento de mortes por cancro, resultantes do tabaco. Mais uma nódoa deste governo, mais uma clara falta de respeito por quem se preocupa com a sua saúde e que desta forma tem de continuar a coabitar com quem se está a borrifar para o facto de o tabaco prejudicar este ou aquele. Que tristeza de país este. Nem assistindo ao exemplo de grandes nações, onde a lei existe e é respeitada por todos, este governo consegue dar mostras de ter a intenção de fazer algo sobre o assunto. Quem se fica a rir é essa imensa minoria que assim vai continuar a fazer pela morte, sua e dos que os rodeiam.



publicado por migalhas às 10:54
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