TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

17
Jul 06

Lá como cá, o futebol é rei. Arrasta multidões, desperta paixões, é causa e efeito de uma febre para a qual não existe cura possível. Se lá é o Calcio cá é a Liga de Honra. Campeonatos à escala da nação que representam, adaptados à realidade própria de cada país. Não é pois de estranhar que estejamos face a estruturas diferenciadas, cuja dimensão se reflecte no volume de verbas disponibilizadas para alimentar a gula de cada emblema. E embora muitos dos clubes intervenientes neste campeonato que se joga na bota da Europa vivam sob a alçada e protecção de grandes e influentes entidades ou figuras públicas (casos da Juventus - desde há muito ligada à gigante Fiat – ou do AC Milan – por via do todo poderoso Silvio Berlusconi), a verdade é que de nada lhes serviu essa guarda de honra, na hora em que se descobriu que, afinal, essa suposta honra sofria de várias brechas que ameaçavam fazer ruir toda a estrutura que lhe servia de sustento. Assim, e de uma assentada, foram 4 os clubes de nomeada que sofreram as consequências do seu envolvimento no escândalo de corrupção que minou o futebol italiano: Juventus, Fiorentina, Lazio e AC Milan. Se o AC Milan foi punido sendo-lhe retirado 15 pontos e a possibilidade de poder participar na próxima Liga dos Campeões ou em quaisquer outras provas europeias, já Juventus, Fiorentina e Lazio viram o cenário pintado em tons bem mais negros, ao serem efectivamente despromovidos à Série B. Mas a pesada mão da justiça italiana não se ficou por aqui. À Juventus foram ainda retirados os títulos de campeã, conquistados em 2005 e 2006, para além de iniciarem a próxima época com 30 pontos negativos. Fiorentina e Lazio começam igualmente o campeonato secundário com penalizações, respectivamente de 12 e sete pontos cada. Para além destes clubes, também dirigentes e árbitros foram irradiados, bem como um antigo presidente da federação italiana. Todos estes resultados, apurados desta mega investigação e onde se incluem a formalização da acusação, declarações, esclarecimentos e julgamento, foram tornados públicos e resolvidos em menos de, imagine-se, três meses! Um exemplo, se comparado com a versão nacional que por cá se arrasta há vários anos e que se denominou então, para quem já não se lembre, de Apito Dourado. Pois que, lá como cá, também a corrupção é palavra de ordem. Só que lá, as coisas resolveram-se, depressa e bem, sem se olhar a nomes, influências ou lobbies. Factores que, por cá, parecem ser ainda decisivos na forma como servem de entrave à justiça. Basicamente as investigações vão-se arrastando, os casos  prescrevendo, a apatia vingando numa realidade que se  mantém inalterável. Vejam-se os casos da Pedofilia na Casa Pia ou da ponte de Entre-os-Rios. Apenas alguns exemplos da vergonha nacional que se vai perpetuando, até ao dia em que alguém com tomates resolva expor ao mundo toda esta porcaria que, cá como lá, apenas necessita de uma limpeza eficaz. Para que se volte a dar crédito à justiça e se acredite que esta pode ser uma arma poderosa. Desde que feita à margem da influências de terceiros e sustentada numa isenção exemplar, digna da que agora nos chega de lá, de Itália.       

publicado por migalhas às 17:43

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