TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

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Out 04
Era uma vez um bisturi que havia nascido com ideais diferentes daqueles que habitualmente alimentavam a existência de qualquer bisturi. É sabido que, bisturi que se preze, deve fazer carreira num hospital ou numa clínica, mais propriamente junto a uma mesa de operações. Mas este bisturi tinha outras ideias. Queria experimentar outras possibilidades, alargar os seus horizontes, enfim, ser um bisturi diferente dos demais que ele sempre conhecera. No dia em que tomou coragem e disse ao seu pai - homem que sempre defendera a continuidade de uma carreira médica para todo e qualquer bisturi - este quase o cortou em dois. As suas palavras afiadas como que lhe feriram o coração e não fosse a argumentação apresentada pelo jovem bisturi, talvez nem nunca ele tivesse conseguido levar a sua avante. Convencido - após o primeiro impacto daquela firme decisão que seu filho havia já tomado -, ao pai bisturi apenas restou ouvir as razões que estavam na base daquela autêntica revolução na vida de qualquer bisturi até então. Senhor das suas convicções, o pequeno bisturi fez saber ao seu pai - e também à sua mãe e irmãos - que estava decidido a mudar o seu rumo pré-definido - de ser colocado numa mesa de operações sempre pronto a cortar carne e a ver jorrar grandes quantidades de sangue por sua inteira culpa - e assim trocá-lo por outro que o entusiasmava bastante mais. Tivera a ideia ainda em criança aquando do visionamento de um programa de televisão. Nesse mesmo programa assistira à vida feliz que uma tesoura - parente próximo dos bisturis mas que fazia ainda uso de duas lâminas e não de uma só - levava, ao optar pela carreira política. Começara também por cortar na casaca de muita gente - então nas mãos de um competente e profissional alfaiate - mas vira a sua vida levar uma reviravolta inesperada ao ser colocada por engano no bolso de um desses políticos do governo. No programa de televisão, o pequeno bisturi vira a tesoura ser peça fundamental em várias inaugurações protagonizadas por esse mesmo político, numa retrospectiva dos seus vários anos de carreira em cortar fitas. Aquelas imagens desde logo lhe deram a ideia de que, também ele, poderia mudar o rumo da sua vida, para isso ele quisesse e se empenhasse. Bem dito, melhor feito. Foi crescendo com aquela ideia a crescer-lhe igualmente na cabeça e no dia da grande decisão enfrentou os preconceitos e as ideias pré-estabelecidas que compunham a história da vida dos bisturis e avançou na sua determinação de enveredar pela carreira política. Se aquela tesoura o havia conseguido, ele - que era bem mais afiado e contundente - com certeza também o iria conseguir. E foi com esta argumentação que demoveu os seus progenitores da ideia de que iriam ter mais um filho a seguir medicina. Hoje o pequeno bisturi é famoso e solicitado para muitas inaugurações, onde é responsável pelo momento alto das mesmas, o corte das fitas. Escusado será dizer que esta sua decisão abriu as portas a outros bisturis que se lhe seguiram. Não admira pois que, actualmente, sejam muitos os bisturis que optam por seguir outras vias e exercem as mais variadas actividades, dando seguimento à ideia pioneira do pequeno bisturi de que devemos ser nós a decidir o que queremos realmente protagonizar nas nossas vidas. Pois só ascendendo a uma realização pessoal e profissional plenas, poderemos ambicionar ser verdadeiramente felizes.
publicado por migalhas às 13:21

Deves ser louco... a julgar pelo texto... uma ideia gira e que dá que pensar... gostei... beijo Carpe_diem
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(mailto:carpe_diem2004@sapo.pt)
Anónimo a 12 de Outubro de 2004 às 18:07

Eu sou mais do tipo catana, ando a desbravar o mato que existe nas cidades! Sim, deixei a roça; isso está muito visto! Quis inovar e agora já tenho muitas catanas à minha volta. Trabalhamos bem e com orgulho, não é a minha camisa que diz quem sou, são as minhas acções!Hope You Know Who
(http://Celtis.blogs.sapo.pt)
(mailto:luismreis@hotmail.com)
Anónimo a 12 de Outubro de 2004 às 18:07

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