TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

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Nov 04
Ouvido ainda com mais atenção, e repetidas vezes, o tema que, no artigo anterior a este, salientei dos Become Not, "Unhappy ending movie", fiquei com a nítida sensação de que realmente não existem limites para a criação. Diria mesmo que fui acometido de um súbito sentimento de inveja - no bom sentido, claro - por não ter sido o autor da obra em questão. O que nos faz pensar na quantidade imensurável de belas peças que estarão ainda guardadas nas cabeças de quantos se dedicam de corpo e alma aos mais diversos ramos das artes. Sem dúvida alguma posso afirmar estar perante o que considero ser um dos mais fortes candidatos a tema do ano. E se alguém achar exagerado o que acabo de dizer, que faça uma audição atenta ao mesmo e me diga depois, olhos nos olhos, que ficou indiferente ao que acabou de ouvir. Parece até que estou aqui a fazer um favor aos "pais da criança" ao dizer isto. Mas não é sinceridade e isenção que se espera de cada vez que se coloca qualquer trabalho à apreciação de outrem? Pois então. Justiça seja feita e dita, sem quaisquer favores ou simpatias falsas que facilmente poderiam induzir em erro, deitando por terra toda a esperança que cada criativo coloca no seu trabalho. Fossem sempre honestas e desprovidas de qualquer carácter tendencioso as críticas que são feitas a vários níveis (veja-se a disparidade das críticas que são feitas aos filmes, aos novos lançamentos musicais, às novas obras literárias e por aí fora) e poder-se-ia confiar minimamente nos "especialistas" da nossa praça que, sob a alçada de critérios duvidosos, dizem de sua justiça, pouco se importando com as possíveis consequências dos seus pareceres. Muitos deles chegam mesmo a tentar remediar o mal que já fizeram, e de que têm consciência clara, editando livros, discos ou o que quer que seja, que lhes permita sustentar a tal "autoridade" numa matéria de que, assim, até já possuem obra feita e tudo. Conclusão? Pior a emenda que o soneto. Pois que, na maioria das vezes, essas tentativas apressadas de redenção não só roçam o patético, como vêm ainda sublinhar o ridículo de uma situação que, a meu ver, deveria ser alvo de uma reflexão bem mais profunda. Dizer que não gosto é muito diferente de dizer que não é bom. O eterno problema do gosto pessoal e da sua marcada interferência em qualquer apreciação feita fora de contexto. E porque este é um obstáculo sempre difícil de contornar, melhor seria que cada macaco se colocasse no respectivo galho de forma a gerar a tal honestidade que sempre deveria presidir a cada análise. Colocar um DJ da onda Techno a fazer uma apreciação ao último CD dos Iron Maiden, um intelectual assumido a criticar o último livro da Margarida Rebelo Pinto ou um apaixonado das obras de Frank Capra ou Orson Welles a analisar algumas das mais recentes produções hollywoodescas, está bem de ver no que vai dar. Não quero com isto dizer que as obras em causa sejam desprovidas de qualquer qualidade, não senhor. O que estamos é perante "avaliadores" que claramente estão fora do meio que conhecem e que apreciam, o que imediatamente lhes tolda qualquer possível análise isenta do seu gosto pessoal. Por tudo isto se requer cada vez mais honestidade na avaliação do trabalho alheio, mais que não seja porque há que respeitar todo o esforço empreendido por quem cria algo que, com maior ou menor qualidade, apenas aguarda por uma análise sincera e isenta à sua obra. Quem sabe para saber se será por ali que deve ou não seguir o seu caminho.
publicado por migalhas às 11:00

I am speechless!!!jonas
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(mailto:joaopcpereira@hotmail.com)
Anónimo a 5 de Novembro de 2004 às 14:24

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