TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

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Dez 04
Agora sim, chegaram os dias cinzentos. Colados a eles veio também a chuva, o vento e o frio, que este ano tardavam como que a fazerem cerimónia. Acendemos as luzes por volta das 15h30, 16h00, e andamos como que curvados perante o peso de um enorme amontoado de nuvens escuras e ameaçadoras que nos sufoca e nos dá uma ideia ainda maior da nossa pequenez face à mãe natureza e aos seus elementos. Bocejamos o triplo das vezes, andamos quase sempre com a neura e arrastamo-nos já com saudades do Verão que ainda agora nos deixou. Em breve segue-se o Natal, depois a passagem de ano e não tarda estamos em 2005. Quem diria! Já lá vão cinco anos desde que entrámos neste novo milénio. Parece que ainda foi ontem que andava tudo maluquinho por causa do suposto vírus que ia destruir tudo à passagem do século XX para o XXI. Havia mesmo quem augurasse o fim do mundo, o apocalipse. Mas afinal tudo se gorou. Nem vírus, nem apocalipse, nada. O mundo manteve-se, e mantém-se até agora, com a diferença de que está mais velho cinco anos. A somar aos que já tinha, pode dizer-se que apresenta uma considerável idade, mas, mais do que isso, uma relativa boa forma, atendendo às circunstâncias. Não fossem as traquinices do bicho homem e estaria seguramente muito melhor. Disso não tenho dúvidas. Mas ainda assim, penso que é um planeta que se recomenda. Basta dar umas voltas pelo nosso Portugal, e não só, para encontrar sítios e locais capazes de surpreender quem ainda ache que este velho planeta azul já deu o que tinha a dar. São muitas as belezas naturais que podemos encontrar um pouco por cada um dos quatro cantos deste nosso mundo redondo. Basta ter vontade, algum fundo de maneio e querer conhecer. Para quem esteja na intenção de o fazer, recomendo, no entanto, que comece pelo nosso pequeno, mas cumpridor no que à beleza diz respeito, país. Porque goza de uma localização geográfica privilegiada - que já lhe valeu o epíteto de paraíso à beira-mar plantado - este nosso rectângulo lusitano é sobretudo rico em praias fantásticas onde pontificam paisagens deslumbrantes. Não quer com isto dizer que não possua paisagens igualmente deslumbrantes de interior, montanhas e serras a perder de vista, rios e afluentes em barda e todo um sem número de preciosidades a necessitarem de urgente descoberta. E isto é apenas esta nossa parcela de terra a que chamamos de pátria. Pois para lá das suas fronteiras bem definidas, fica todo um outro conjunto de países prontos a surpreender quem queira. É o que tem de bom viajar. Conhecem-se outras culturas, outras gentes, outras formas de estar, outros destinos igualmente imperdíveis e, acima de tudo, vive-se e respira-se este que é o nosso lar, o nosso planeta de sempre, que nos tem acolhido a nós, já acolheu os nossos antepassados e irá, seguramente, acolher os nossos descendentes. E sempre com novas surpresas com que nos presentear. É bonito o nosso planeta. Então visto do espaço é, com grande dose de certeza absoluta, a mais formidável das visões que é possível a alguém ter. Visto da pequena janela desta minha nave, o planeta Terra é maioritariamente azul, resultado da esmagadora percentagem de mar face à terra firme. E cá de cima, perante este cenário idílico, ninguém diz o que se passa lá em baixo. É tudo tão calmo, tão pacífico, que chega a parecer incrível como é que alguém se dá ao trabalho de andar à pancada, de andar a guerrear, a destruir algo que é tão incrivelmente maravilhoso. Toda a gente deveria partilhar desta minha visão privilegiada, mais que não fosse para dar valor àquilo que temos e reconhecer a grandeza do que possuímos face à nossa ridícula pequenez. Nem uma poeira somos no contexto do universo, neste extenso cosmos de que nem uma ínfima parte conhecemos e, ainda assim, o pó que levantamos. Quando é que a humanidade se reduz à sua real e natural insignificância e deixa, de uma vez por todas, de pensar apenas em estragar aquilo que lhe foi proporcionado? Talvez um dia. Quando todos virem a Terra deste mesmo ponto onde eu agora a vejo, a muitos quilómetros de distância. Talvez assim lhe ganhem o respeito que, quando apenas pisada, ela parece não merecer.
publicado por migalhas às 11:01

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