TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

21
Dez 04
Foi no último Domingo, 19 de Dezembro, que teve lugar o tradicional almoço de Natal do Grupo Gimnodesportivo e Recreativo de Quatro Rodas Sujas de Lama, de seu nome Eskapadelas. Desta feita organizado pela dupla Jesus/João Pedro e com partida de Palmela e chegada ao ventoso Cabo Espichel, o mesmo foi abrilhantado por um passeio de dificuldade muito elevada, da qual eu mesmo dei conta "in loco". Estávamos ainda em período de aquecimento (3 míseros quilómetros percorridos!) e já eu dava nas vistas, mergulhando fundo num buraco que, visto de fora, nem parecia assim tão fundo. Claro que, com a lama que este possuía e que o cobria parcialmente, a par dos meus pneus de todo impróprios para semelhante lamaçal, nem um metro percorri até me sentir atascado e completamente inclinado num ângulo que, na altura, me pareceu bastante angustiante. Depressa me arrependia de ter optado pela "alternativa radical" (felizmente a única de todo o road-book), principalmente quando, paralelo a esta meia dúzia de metros acidentados, passava um caminho plano e sem ponta de lama, a que até um Mazda Cabrio se fazia sem qualquer tipo de dificuldade. Nada que não tenha sido prontamente solucionado através da sempre pronta colaboração de todos os homens presentes (sim, porque as "gajas" riem e tiram fotos) e de dois todo-o-terreno de fibra que, com a ajuda de cintas e afins, em pouco tempo dali arrastaram aquelas duas toneladas e meia de veículo. E pronto, poderia dizer que a emoção acabara logo imediatamente após este incidente que, felizmente, não provocou danos. O resto do percurso foi pacífico e sem mais ninguém a querer dar nas vistas. Depois veio uma curta paragem em Azeitão - para a degustação de umas deliciosas e típicas tortas - e onde fomos recebidos pela Filarmónica local que, debaixo de algum frio, tocou uns quantos temas de Natal nossos conhecidos. Mais meia horita de percurso e dávamos entrada no Pantanal. Não, não se tratava de mais uma parte do percurso intransitável, mas sim do Restaurante onde fomos muito bem servidos e igualmente recebidos ao som de música. Só que aqui a música foi realmente outra. Um senhor na casa dos sessenta e tais, acompanhado apenas de uma Ibanez - cujo modelo devia ter perto da idade dele - e de uma caixinha de ritmos, resolveu brindar-nos com um reportório exclusivamente de música brasileira, mas a que teve a infeliz ideia de adicionar uma letal combinação de pronúncia tipicamente portuguesa com uma gritante e contínua desafinação vocal que a todos tocou de perto. Eu diria mesmo de muito perto, pois ficámos localizados numa mesa paredes-meias com as colunas de som de onde o senhor debitava as suas repetidas desafinações, sem que disso sequer se apercebesse. Resultado? Vimo-nos e desejámo-nos para nos fazermos entender, o que levou a generalidade dos presentes a fazer uso do único recurso possível face às circunstâncias: a alta voz. Única forma de manter alguma comunicação entre os presentes, de todo útil num almoço em que colocar a conversa em dia era prioridade. Quanto ao rodízio, estava excelente! O meu peixinho era de uma frescura que saltava à vista e rematado por um quindim divinal, caiu que nem ginjas! Voltámos à estrada, então já sob intensa chuva e nevoeiro, e terminámos o passeio com uma interessante visita guiada ao farol do Cabo Espichel. Desta curiosa visita, fiquei a saber que o dito farol - complexo auxiliar de navegação, quer marítima, quer aérea, e cujo foco de luz atinge uma distância máxima de 43 quilómetros -, pode, em caso de falha eléctrica e do respectivo gerador, ser accionado por um, imaginem, Petromax! Não há como nós, portugueses, para desenrascar! Seguiram-se as despedidas, os votos de boas festas e a obrigatória limpeza das partes baixas do veículo, onde a lama já se transformara em barro que, muito a custo, lá acabou por sair, ainda assim, em forma de blocos bem compactos. Foi o pretexto para oferecer a prenda de Natal ao meu competente Discovery: um banho completo, algo que não via desde o último passeio de Natal. Venha agora o próximo, com a promessa, desde já feita, de que não servirá de veículo à minha necessidade incontrolável de protagonismo.
publicado por migalhas às 15:15

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