TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

03
Jan 05
Há duas formas de colocar a questão no que diz respeito a elas, às "gajas". Ou se afirma que ela é uma boa rapariga ou que é uma rapariga boa. A primeira, remete para aquela alminha boazinha e inocente, que pouco conhece da vida, mas que tudo faz para agradar a gregos e a troianos. Sai pouco e quando sai veste-se da cabeça aos pés, não deixando um palmo, que seja, do seu corpo, visível a olho nu. Tem, invariavelmente, hora marcada de regresso a casa, sob pena de pesado e severo castigo. Muitas das desta espécie acabam num convento a orar aos céus, depois de terem sido deserdadas pela família em virtude de uma gravidez que, ainda hoje, estão para saber como é que lhes aconteceu. A segunda, remete para uma menina mais atrevida e sensual que, embora jovem, possui já toda a escolaridade - da vida, entenda-se - e que não se coíbe de provocar os elementos do sexo oposto com as suas poses e trajos diminutos. Sai muito e é ela quem decide a hora a que regressa a casa, quando regressa. Muitas das desta espécie acabam por casar, engordam - ao ponto de ficarem disformes - e terminam os seus dias a tratar dos oito filhos que pariram e a cozer as meias de todos eles, ao mesmo tempo que sonham com o que poderiam ter sido, caso não tivessem andado com os rapazes todos lá do liceu e ainda com a equipa de râguebi do liceu vizinho. E depois, há as outras. Que nunca ninguém deu nada por elas e que, num súbito passo de mágica, viram verdadeiros monumentos. Esses são os casos em que, quando as revemos depois de uma longa ausência, pensamos:
"Mas onde é que esta gaja andava há vinte anos atrás"?
Pois é. Nessa altura, das duas três: ou estava por nascer, ou não chegava ainda com os pezinhos ao chão sentada na bordinha do passeio ou - at last, but never the least - andávamos com ela ao colo a dar-lhe palmadinhas nas costas, para que exteriorizasse o seu contentamento com a mais recente refeição, sorvida até à última gota.
"Agora sim, é que eu lhe pegava ao colo e lhe dava palmadinhas, dava"!
Pois, mas agora é tarde. Resta-nos admitir que, na época, não suscitaram a nossa atenção. Nem demos por elas e ponto final. Ou por estas razões ou porque era aquela gordinha feia e sempre de óculos que gozávamos na escola, ou porque era a filha do homem do talho - e assim sendo andava sempre de calças largas, galochas e um avental decorado do sangue proveniente das peças de carne que manuseava com uma perícia invejável -, ou porque era uma maria-rapaz, que sempre nos enganou ao ponto de julgarmos que ela era mesmo um gajo. Fossem quais fossem as razões, a grande verdade é que se transcenderam e, de repente, aí estão elas. Frescas e viçosas, tal e qual uma pipoca que tão depressa é grão de milho, como logo a seguir é aquele resultado final a que deitamos o dente agradados. Será daí que vem a expressão "boa como o milho"? Isso não sei, mas que agora lhe deitava o dente, ai isso deitava. O único problema é a porcaria da placa, que ainda lhe ficava agarrada a alguma daquelas coxas tenras e a punha a milhas em dois tempos. Aí, as "gajas", as "gajas"... dão com um homem em doido, é o que é. Sim, porque um homem não é de pau, certo?
publicado por migalhas às 20:42

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