TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

24
Set 13

Não tenho lágrimas
estou mais baixo
junto à cal

Vejo o solo extinto
Não oiço ninguém
e não regresso

Adormecer talvez
junto a uma estaca
com uma pequena pedra
sobre as pálpebras

 

 

Também de rasgões é feito o poema

 

Também de rasgões é feito o poema

entre uma possível estrela e a carne dolorosa

E nele se desenha a sombra de um crânio

ou as mãos vazias que perderam o rastro

de um segredo evidente submerso no opaco

 

 

Todo o tempo perdido

 

Todo o tempo perdido

para não me perder

para não sufocar

 

Poderei ainda

reconhecer

atrás das pálpebras

a intacta ferida?

 

 

Por vezes de um poema concluído

 

Por vezes de um poema concluído

subsiste um aroma frágil instantâneo

que acende sobre nós uma ingénua estrela

que ilumina os nossos gestos

e aligeira os passos sobre as pedras claras

 


in "A Intacta Ferida"

António Ramos Rosa (Faro, 17-10-1924 / Lisboa, 23-09-2013)

publicado por migalhas às 12:06
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