TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

06
Out 11

A ÁRVORE E A NUVEM (1962)

 

Uma árvore anda de aqui para ali sob a chuva,
com pressa, ante nós, derramando-se na cinza.
Leva um recado. Da chuva arranca vida
como um melro ante um jardim de fruta.

 

Quando a chuva cessa, detém-se a árvore.
Vislumbramo-la direita, quieta em noites claras,
à espera, como nós, do instante
em que flocos de neve floresçam no espaço.

publicado por migalhas às 13:34

HISTÓRIAS DE MARINHEIROS (1954)

 

Há dias de inverno sem neve em que o mar é parente de zonas montanhosas, encolhido sob plumagem cinza, azul só por um minuto, longas horas com ondas quais pálidos linces, buscando em vão sustento nas pedras de à beira-mar.

 

Em dias como estes saem do mar restos de naufrágios em busca de seus proprietários, sentados no bulício da cidade, e afogadas tripulações vêm a terra, mais ténues que fumo de cachimbo.

 

(No Norte andam os verdadeiros linces, com garras afiadas e olhos sonhadores. No Norte, onde o dia vive numa mina, de dia e de noite.

 

Ali, onde o único sobrevivente pode estar junto ao forno da Aurora Boreal escutando a música dos mortos de frio).

publicado por migalhas às 13:31

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