TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

30
Ago 11

quantas luas tem o sol

que cheio, novo, a crescente ou minguante

é parceiro desse satélite que brilha

emana calor e se ergue do mar incolor

que amanhece ao som das marés trazidas do céu

em farrapos de areia fina

que nos desertos submersos se banham

e no asfalto de estrelas, tantas e tão ascendentes, se cruzam para fazer amor

até que de novo o mar se ponha a nascente

para nova noite de intenso dia

breu e bruma em perfeita sintonia

nas muitas faces que o vento tem.

 

inédito de migalhas (100NEXUS_2011)

publicado por migalhas às 21:54

12
Ago 11

Cabe-nos a tarefa irrecusável, seriíssima, dia a dia renovada, de - com a máxima imediaticidade e adequação possíveis - fazer coincidir a palavra com a coisa sentida, contemplada, pensada, experimentada, imaginada ou produzida pela razão.
Que cada um tente fazê-lo. Verificará que é muito mais difícil do que se costuma pensar. Porque para os homens, infelizmente, as palavras são de um modo geral toscos substitutos. Na maior parte das vezes o homem pensa ou sabe melhor do que aquilo que exprime.

 

Johann Wolfgang von Goethe, in 'Máximas e Reflexões'

publicado por migalhas às 21:44

08
Ago 11

 

Finalista do Man Booker Prize 2010

 

Ele é um viajante do mundo que parece nunca chegar ao destino, um jovem que nas suas longas viagens procura por si próprio e cujos caminhos o levam sempre ao seu interior. Sente que não tem pátria nem lar, mas procura sempre um lugar ou uma pessoa a que chamar casa. Em relação àqueles com quem viaja - seja um alemão enigmático, um grupo de turistas de mochila ou uma mulher à beira do abismo - pode cumprir o papel de seguidor, amante ou guardião. Mas na verdade é sozinho que tem de trilhar o seu caminho, carregando as marcas profundas e indeléveis que cada viagem deixa na sua vida.

publicado por migalhas às 19:27

05
Ago 11

Uma pessoa parte aos 88 anos de idade e muito provavelmente sabe que ainda assim perdeu imenso, tal a vontade com que se agarrava à vida. Ciente como sempre foi da sua própria mortalidade, mas igualmente consciente do dom que consigo carregava, este homem tudo fazia para o explorar ao limite, dedicando a sua vida quase que exclusivamente à pintura, trabalhando todos os dias num regime extremamente rígido, de várias sessões diárias, pois sabia que o relógio estava constantemente a marcar e cada segundo desperdiçado era um pedaço de vida deitado à rua, um luxo a que não se permitia. Era assim Lucien Freud, um dos mais importantes pintores dos séculos XX e XXI, falecido a 20 de Julho último. Para este irredutível realista na torrente de abstracção que dominou o pós-II Guerra, tão preciosa era a sua arte como esse outro dom de que todos somos dotados durante um período demasiado breve, como ele bem o sabia, o próprio tempo. Por isso dele fez uso por inteiro, de corpo e alma, e por ele terá prescindido de tudo o resto, à excepção de respirar e pouco mais, acredito.

3 Dias depois, a 23 desse mesmo mês de Julho, eis que parte uma outra pessoa, mas esta detentora de apenas 27 primaveras. Ou seja, com qualquer coisa como 61 anos de vida gozada a menos, se directamente comparada com a de Lucien. Obviamente que poderia até durar mais que os 88, mas seguramente jamais teria essa curiosidade em viver até lá, pois para esta outra figura da arte, a vida parece nunca ter sido assunto a merecer-lhe atenção por aí além. Apesar de ser igualmente senhora de um dom que a colocava, e colocaria, ao nível das melhores, caso assim o tivesse querido, Amy Winehouse sempre se mostrou uma figura para quem a vida parecia ser um empecilho, mas principalmente a vida de fama a que se tentara mas de que, curiosamente, fugia a sete pés. Tinha tudo para ser uma estrela, desfrutar do êxito que parecia querer persegui-la impiedosamente, mas, ao contrário de o adoptar, virava-lhe as costas e dedicava-se à auto-destruição, através do excessivo consumo de álcool e de drogas. Alheada da vida, tudo parecia fazer para que a mesma a deixasse em paz, o que acabou por conseguir finalmente a 23 último.

Duas figuras das artes: uma mais do que consagrada e experiente, e ainda assim desejosa de poder esticar o seu tempo de estada entre nós; a outra ainda no início, mas a dar já provas de que poderia voar até onde quisesse, e em vez disso a desperdiçar todo o tempo que poderia ter tido pela frente, caso o tivesse abraçado de bom grado. Dá deus nozes a quem não tem dentes ou a prova provada de que não existem duas pessoas, duas personalidades, iguais, sequer semelhantes. Que mesmo sabendo da exclusiva riqueza do que tinham para dar, uma certamente partiu sem pressa, a mais velha, experiente, consagrada, enquanto que a mais nova, em ascensão, promessa já quase certeza, correu ela mesmo para o abismo, atirando-se a ele sem receios de o fazer, na presa que tinha de desaparecer deste mundo que tanto parecia incomodá-la.

Certo é que ambos serão para sempre lembrados. Ele por ter dado tudo, ou quase, do que podia e sabia, ela por ter prometido tanto e deixar no ar a ideia de que poderia ter ido tão mais além, desperdiçando cedo de mais o que poderia ter sido uma vida cheia, partilhada com aqueles a quem agora apenas resta o travo amargo da desilusão e de tantas expectativas goradas.

Teria o outro Freud, o Sigmund, avô deste agora falecido, conseguido explicar este fenómeno por via da sua psicanálise? Que ele há coisas realmente difíceis de entender.

 

reflexão de migalhas (100NEXUS_2011)

publicado por migalhas às 16:06

01
Ago 11

 

pequenas histórias, reflexões e pensamentos breves, que se lêem ao sabor da brisa, seja na praia, no campo, numa esplanada.

descontraidamente, como quem nada mais pretende do que uma parcela de tempo bem passado, num tempo que se quer de lazer, de descanso.

em papel ou em formato digital, disponível aqui: http://www.bubok.pt/libros/1217/feito-de-historias--volume-1

com votos de boas férias.

 

publicado por migalhas às 15:14

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