10.10.10
Eis uma combinação que não mais se voltará a repetir (pelo menos no próximo milénio, logo, não mais durante a nossa existência). Mas será só esta? Que outras combinações, quaisquer que elas sejam, terão alguma vez direito a uma segunda oportunidade e logo em duplicado? Cópia a papel químico uma da outra? Nenhuma, nada o tem. Que nada nesta vida ou em vida alguma se permite a repetições. Quanto muito semelhanças, quiçá a tais coincidências de que tanto se fala, mas nunca tal e qual, cuspido e escarrado (que nojo!). Apenas a curiosidade de três números que se equivalem, hoje, sempre, mas que neste particular de se associarem na data que hoje vivemos nada mais virem a ser senão memória a guardar para, quem sabe, um dia mais tarde recordar. Hoje, consta assim. Amanhã, outra variável terá a sua exclusiva oportunidade de se mostrar e, terminado esse seu fugaz reinado de um tempo que é sempre contado (para ela, para nós, para tudo), extinguir-se-á, para nunca mais ser coisa palpável, visível, possível. Resta a sequência mais ou menos aleatória de todas as outras variáveis (que não os dias, os meses ou mesmo os anos), a qual nos garante uma vida, no mínimo, surpreendente ou, se quisermos, recheada de incontáveis incertezas que tendem a elevar o seu grau de dificuldade, especialmente para nós, meros humanos, que a galope seguimos, melhor ou pior montados no seu dorso esguio, sinuoso, mas sempre escorregadio.