TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

18
Jun 08

Acostei à noite, no seu leito estrelado
Nela tentei uma paz que se me amotinava por entre os dedos
Olhei-a passiva, na sua serenidade singular que nos preenche mesmo contra vontade e entreguei-me àquele cenário idílico
Esperei que me acolhesse nos seus braços e me arrebatasse num destemido voo rumo a paragens que ninguém lhe conhece
Aguardei horas, dias ali fiquei, à mercê do que tinha idealizado para alguém como eu
Deixei de ser quem era e por tempo que nem contei de mim me ausentei
Persegui apenas aquilo com que a mente me brindava e nesse estado enlevado fiquei
À noite juntou-se-lhe o mar num festim que me teve sempre a mim por iguaria
Uma e outra a conspirarem a coberto da lua que se fez cheia, agora prenha de mim, ao relento, alumiando-me um caminho que não era para mim
Eu queria a noite e queria o mar e queria as duas emprenhar, os seus corações conquistar, fazê-las minhas todas as noites, mesmo as que não se banhavam na imensa luz da lua
Tentei que a vida fosse minha, agora que lhe conquistara as rainhas, mas ela negou-se
Haveria de viver à sua margem, cansado de tentar atalhos onde tentava entendê-la, sugar-lhe as razões com que me vergastava em troca
Nunca se me confessou, orgulhosa de quem era e sempre seria, sem mim a seu lado
Fui castigado, fui pela vida odiado e dela nem nunca um vislumbre de paixão que me fosse a salvação
A vida que eu queria, tentei-a com a noite, tentei-a com o mar
Nunca a tive, nunca me foi refúgio, mesmo no instante derradeiro, quando me viu naufragar 

publicado por migalhas às 15:00

Junho 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
17
19
20
21

22
23
25
26
27
28

29
30


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
facebook
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO