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TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

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Pressão

por migalhas, em 06.12.07

A pressão de ser, de estar, de ver acontecer

Carregada às costas como uma corcunda imposta

Manto pesado, cortina de fumo denso, no limite, cerrado

Ao seu peso vergado, por que tem de ser

 

Pressões

Uma, várias, quantas o nosso ser suporta

Que a vida é base de sustentação de todas elas

E há as que quebram

Há as que partem

Há as que resistem

Mas com a paga de uma existência pesada, sempre avaliada

Num carrossel sem corcel, montanha russa congelada

Radar omnipresente

A limitar-nos como gente, insistente

 

E o rasgar? O soltar, o cruzar a linha

O extravasar de quem realmente sonhamos?

O que nunca se revela

Por que não pode, não deixam

Quando poderá submergir e respirar o ar que lhe omitem?

Que moribundo subsiste, confinado a quatro paredes que se fecham e oprimem

Que esmagam qualquer veleidade paralela

 

Como uma vida anterior à morte

Em pleno saboreada, lés-a-lés

Brava, de cernelha

Orgasmo perpétuo que derruba barreiras, aborta fronteiras, extermina preconceitos

Fecunda a vontade, rumo à liberdade

Ser, na vez de parecer

O que a mente nos afirma verdade

 

Avenida larga, campo aberto, extensão enorme a perder de vista

É por aí

À descoberta

A tentar um horizonte longínquo, que nos foge, sempre a desafiar os nossos limites

A rogar-nos que sejamos, sem colete-de-forças

Sem pressão

Pressões

As que ser algum deveria suportar

Estado ausente

por migalhas, em 03.12.07

Lentamente deixam-se guiar, numa sonolência boa que lhes toma a vontade.

Perscrutam nas redondezas o motivo que os embalará rumo a um desconhecido recorrente.

Será para longe, horizonte distante, isso sabem-no bem.

Preparam a ausência que se anuncia, por demais evidente.

Meio conscientes, por todo entregues, registam o que captam, surpresos, deleitados.

É belo, de tão belo que chega a parecer pouco ser, apenas e só, belo.

Estende-se a perder de vista num manto alvo a que toda a luz converge, logo reflectida com redobrada intensidade.

Veste os campos com uma roupagem densa e sem padrões, num plano único e monocromático de cândido e pacificador povoado.

Ao olhá-la, mais e mais insistentemente, ausento-me do meu corpo físico e apenas mente e alma vagueiam pela sua consistência fofa, num estado quase meditativo a rondar o transe profundo a que, por fim, me entrego, por fim liberto.

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