TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

13
Fev 07

O ser humano é realmente estranho. Com uma imensidão de itens com que se preocupar e preencher os seus dias, este produto da natureza dedica a quase totalidade do tempo de que dispõe a falar dos outros. Dos seus pares, daqueles que são gente também e que possuem uma vida como a sua ou parecida, mais que não seja nos seus princípios básicos. Se existe tema de conversa que congrega a preferência deste produto da natureza que responde pelo nome de homem, o falar dos outros, invariavelmente mal, das suas vidas, invariavelmente invejadas, das suas posses, invariavelmente desejadas, é rei em cada conversa de ocasião, em cada conversa de café, em cada almoço, em cada jantar, em cada viagem de transporte público. Mas porquê? Que existe assim de tão inebriante no que os outros fazem, têm, conseguem? Por que existe uma preocupação quase que doentia, uma obsessão quase que obstinada, em comentar as vidas alheias? Será que quem o faz (e somos todos, que ninguém se iluda, somos todos), não tem os seus próprios projectos com que se entreter, não é igualmente detentor de bens, não consegue atingir os objectivos a que se propõe? Claro que sim. Mais que não seja por que resulta do mesmo molde de que foi feito o seu vizinho, o seu primo, o senhor da loja da esquina onde compra o pão e os flocos amiúde. Mas se somos todos feitos da mesma fibra, originários de um mesmo processo que se repete desde sempre, se partilhamos este espaço a que chamamos nosso, sem grandes possibilidades de ambicionar a outro, sobre que outro assunto podemos conspirar a cada dia, e assim preenchê-lo, senão com a previsível e enfadonha vidinha do nosso vizinho de cima, de baixo, do lado, ou daquele colega de trabalho ou do patrão que disse que disse e daquele que lhe foi dizer e do outro que fez e aconteceu...? BASTA!

Façam alguma coisa pela vida. Pela vossa vida e deixem a dos outros em paz. Quem sabe assim se desvaneça este ambiente de tensão que se sente a cada esquina e que, não parado a tempo, só nos poderá conduzir a um estado de loucura  que se avizinha cada vez mais próximo.

A vida são dois dias. Por que não gozá-los com a nossa vida, em vez de desperdiçá-los a gozar com a vida dos outros?

publicado por migalhas às 18:10

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