TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

11
Jul 06

Alguém que me explique, como é que pode haver quem (mesmo que a figura em causa tenha sido considerado já por outras vezes o melhor dos melhores na sua actividade, mesmo que fizesse a despedida da sua carreira naquele jogo, mesmo que fosse indiscutivelmente um mago na arte de tratar o esférico) ganhe a Bola de Ouro, o equivalente ao melhor jogador do torneio, depois de protagonizar aos olhos de todo o mundo uma das mais vis e premeditadas agressões de que há memória? Depois da FIFA apelar ao desportivismo, ao “fair play”, e disso fazer cavalo de batalha, como é que se permite atribuir este troféu a alguém que, pura e simplesmente, age em clara oposição a estes propósitos por si defendidos? Então o nosso Ronaldo perde o troféu de “Melhor Jogador Jovem” claramente prejudicado pelas supostas simulações de voos e quedas que sofreu ao longo da prova, muitas delas resultado de faltas bem reais e graves sobre ele cometidas, e este senhor ganha o maior troféu individual da prova depois de se atirar que nem um touro e de forma deliberada ao peito de um seu colega de profissão, ainda por cima em plena final? Meus senhores, de boas intenções está o inferno cheio. O bom senso é bonito, mas necessita que as entidades competentes o pratiquem e o façam chegar genuíno aos respectivos destinatários. Que dêem o exemplo, por assim dizer. Se queriam compensar o “astro” pelo facto da companhia de estrelas que liderava não ter conseguido erguer o troféu de campeão do mundo, que o fizessem num evento especialmente concebido para tal. Por que sei que vão haver alguns e merecidos, diga-se. Agora andar a anunciar aos sete ventos que a violência, o mau carácter, o mau perder, não levam a lado nenhum e depois darem o dito por não dito e premiarem essas mesmas facetas tidas por negativas, é que não me parece exemplo que jovem algum possa apreender e dele fazer uso para o seu futuro como profissional. Posto isto, parece-me justo referir o carácter de grande maturidade demonstrado pela nossa jovem estrela, quando comparado com este grande senhor que, na altura de dizer adeus, se esqueceu que é sobre os grandes líderes (a que pertence claramente) que recai a enorme responsabilidade de mostrar aos mais novos como se deve estar no futebol. E assim como ele quis mostrar, é que não é de certeza.

publicado por migalhas às 15:55

10
Jul 06

De facto, tudo chega a um fim. Inevitavelmente. Não fosse essa a maior das certezas, e por que não dizê-lo a única, que nos persegue em vida. De que esta terá sempre um fim, em forma de morte. Mas se a maioria das mortes não se anuncia, esta de que aqui falo agora está anunciada para mais logo, a partir das 22h35, no canal dois da nossa televisão pública. Trata-se do último episódio da brilhante série “Sete palmos de terras”, no original “Six feet under”, que se despede dos seus fiéis seguidores com aquele que foi já por muitos considerado como o mais incrível episódio alguma vez feito, de quantas séries já foram realizadas. O último episódio de uma série que, como poucas, gerou justificado culto, principalmente devido à forma liberal, sem receio de convocar alguns tabus que ainda arrepiam a América mais conservadora (como a morte, a homossexualidade, as drogas, a desagregação da família, a noção da vida artística como um destino profissional viável), sem pruridos e sem papas na língua, como nos revelou o dia-a-dia da disfuncional família Fisher. Agentes funerários que, semana após semana, receberam debaixo do mesmo tecto em que faziam a sua vida, defuntos cujas histórias e universos serviram de base narrativa aos 63 episódios desta saga familiar. E não foi por acaso que Alan Ball, o criador da série, projectou a acção da série em Los Angeles, cidade que considera ser a "capital mundial da negação da morte". Era por isso inevitável que fosse também de morte que trata este derradeiro episódio, o mais longo da série (com cerca de 75 minutos), intitulado “Everyone's waiting”. Alan Ball fez questão de terminar a saga com incontornáveis pontos finais, o mais representativo dos quais será o ecrã branco que surgirá no plano final, revelando uma certa lápide ao som de Breathe, de Sia Furler. Definitivamente a não perder.

publicado por migalhas às 17:01

07
Jul 06

Hoje é dia de festa! Canta a minha alma, mas também todo o resto do meu ser. Não, não faço anos. Pelo menos eu, fisicamente, como pessoa. Mas sim, faz hoje precisamente dois aninhos (parece pouco, não é?) que me iniciei nestas andanças da blogosfera. E se ao longo deste período, que afinal já parece tão longo, preenchi este meu espaço, que desejo que seja também o vosso, com um total de 264 artigos (!!!), foi apenas porque quando me propus a ter um blog me comprometi acima de tudo a mantê-lo vivo, actualizado, útil e divertido, sempre que possível. Por aqui têm passado palavras de felicidade, palavras amargas, de incentivo, de crítica, mas sempre palavras minhas, que expressam a minha opinião pessoal, o que sinto ou deixo de sentir, sobre os mais variados assuntos que me entretenho a pôr preto no branco. Por que essencialmente é isso mesmo que este espaço significa para mim: entretenimento. Um gozo enorme em publicar o que escrevo, partilhando-o com quem se interesse igualmente por umas linhas de texto que mais não ambicionam do que virem a ser uma pausa agradável, um momento de reflexão ou simplesmente um desabafo. Uma coisa é certa: vou continuar este desafio e a bem dizer não sei mesmo onde é que isto, o blog, irá parar. Pará-lo, encerrá-lo, desistir dele é que nunca. Bem sei que a palavra “nunca” pode ser exagerada demais, mas de momento é a que me ocorre e que melhor simboliza a minha vontade face a este excelente veículo de catarse. Aqui me confesso, me purgo de dias e momentos menos bons. Aqui me divirto sempre que tenho tempo para delinear uma ideia e passá-la à prática. Espero que quem me visita, de forma regular ou não, também sinta que pode tirar alguma coisa deste espaço que, afinal, é de todos. Eu esforço-me por isso e vou continuar a fazê-lo. Venha o próximo objectivo: os 3 anos de actividade do meu/vosso 100NEXUS. A todos os que perfizeram a bonita soma de 344 comentários até ao dia de hoje, o meu sincero obrigado. Continuo a contar convosco da mesma forma que podem continuar a contar comigo e com os meus devaneios. Até ao próximo.

publicado por migalhas às 13:04

06
Jul 06

Agora começo a entender melhor o papel do ministro na sociedade. Ao passear os olhos por aí, descobri algo extremamente interessante que me fez ver a luz. Nada mais nada menos que o significado do próprio termo em si, o de ministro. Então não é que este remonta, imagine-se, ao tempo dos Vikings (aqueles rapazes nórdicos, altos e louros, que andavam pelos oceanos a espalhar o terror, envergando uns engraçados capacetes encimados por um belo par de cornos)? É verdade! Já nessa altura eles existiam - os ministros, entenda-se -, só que então com uma outra finalidade e, digo eu, com uma outra utilidade. Ou seja, ministro era aquele prisioneiro de guerra que era levado para a galera de um navio e escravizado, forçado depois a trabalhar como remador dos grandes navegadores Vikings. Como se tal não fosse já castigo suficiente para o pobre do ministro, este via-se ainda privado do direito de usar os lavabos, pelo que tinham de se aliviar das respectivas necessidades fisiológicas ali mesmo, uns sobre os outros. Imaginam a maçada que não era o senhor ministro ter de arrear a calcinha ali na frente dos seus congéneres, expondo-se assim aos olhares alheios. Já para não falar do cheiro e da merda com que se viam forçados a conviver. Quiçá tenha vindo daí o hábito que se mantém até aos dias de hoje e do qual parecem querer fazer questão de princípio. Quem não se parecia incomodar muito com isso eram os seus donos e senhores, os soldados Vikings, que mesmo cientes da chafurdice que ali se vivia, ainda jogavam todo e qualquer resto de comida sobre eles, para ajudar à festa. Perante esta descoberta, é agora muito mais fácil entender as tarefas que estão subjacentes ao cargo de ministro: remar ao sabor da corrente, que é como quem diz, às ordens dos seus senhores. Mesmo que esse não seja o rumo certo ou sequer o mais indicado. Tarefas que, basicamente, pouco ou nada mudaram. O ambiente em que as protagonizam é que é outro, completamente diferente.

publicado por migalhas às 18:04

05
Jul 06

Hoje pode ser um grande dia. Um dia que nos faça regressar aos tempos áureos desta nação valente que já se impôs no mundo graças ao seu espírito visionário. Que já foi digna de respeito, veneração, que fez história ao descobrir meio globo e foi decisiva ao impulsionar a descoberta de outro meio. Feitos que influenciaram definitivamente o mundo de então e que ilustram os compêndios da história universal até aos dias de hoje. Mas isso foi passado. Queremos voltar a escrever uma página ou duas ou as que forem necessárias para documentar o feito que estamos prestes a realizar. Só quem lá está, presente no momento, pronto a tudo dar pelos ideais a que se propõe, é que pode ambicionar a tornar-se lendário, inesquecível. São tidos por bravos, por heróis, pois que dos fracos não reza a história. Vamos fazer jus ao nosso hino. Vamos ser heróis de um mar que invada de esperança e glória este nobre povo. Um povo que, aqui de longe ou lá, no recinto da batalha, os apoie e incentive como só ele sabe. Vamos ser imortais e contra tudo e todos marchar. Vamos levantar de novo o esplendor de Portugal, erguer a voz dos nossos egrégios avós. Vamos fazer uso das nossas armas - das secretas, se for preciso -, para com elas derrubar os muros que sempre teimam em nos barrar a passagem, impedindo que possamos ir mais além. Hoje queremos transpor todos os obstáculos e marcar presença no Olimpo, junto dos deuses. E uma vez lá, tê-los connosco, do nosso lado, para erguermos o que muitos não acreditam estar ao nosso alcance: o troféu de campeões do mundo de futebol. Queremos voltar a mostrar de que raça somos feitos. Queremos que o mundo nos volte a olhar com o mesmo respeito e reverência de outrora. Sejamos ambiciosos, audazes, guerreiros, e nada se poderá opor ao querer que hoje nos preenche por inteiro. Gritemos por Portugal, soframos com os nossos heróis e deixemos que um sentimento de grandeza nos leve mais longe, ao topo do mundo.

publicado por migalhas às 13:08

04
Jul 06

Não que seja muito dado a essas coisas de invejas ou de egoísmos ridículos e sem sentido que não levam a lado nenhum. Não, senhor. Mas, verdade se diga, que tenho andado contente com o facto de o Verão estar a aguardar por mim para se fazer notado. Na minha opinião, não se trata de egoísmo mas sim de justiça. Poética ou não, mas justiça. Então se eu não posso usufruir da bela da praia, de um solzinho retemperador, de uns banhos refrescantes, por que é que outras pessoas hão-de ter essa sorte? Se logo pela manhã tenho de me fazer à estrada e levar com uma dose de trânsito diário que se repete ao fim do dia quando regresso já meio feito num 8, se tenho de passar horas a fio sentado a uma secretária a imaginar como vender este ou aquele produto de uma forma original que jamais alguém alguma vez tenha pensado, se estou a perder os melhores anos da minha vida com questões que se prendem apenas com trabalho e formas de conseguir amealhar uns cobres que me permitam uma vida mais folgada, então é justo que o São Pedro olhe por mim, e por outros como eu, e vá retardando a chegada do sol e do sempre aguardado Verão com umas nuvens cinzentas e uns pingos de chuva. Facto que, a meu ver, não traz mal nenhum ao mundo senão um ou outro transtorno aqui e ali, nomeadamente nuns quantos planos de férias já em execução, que assim tendem a ficar definitivamente arruinados. Coisa pouca, se pensarem que em jogo estão todos os outros que para trás ficaram a alimentar a fornalha da produção nacional, contribuindo com pazadas de carvão em forma de trabalho diário que executam arduamente até ao regresso dos que agora estão ausentes. Definitivamente, não me parece tratar-se de qualquer espécie de egoísmo. Apenas uma vontade de ter o que outros queriam ter agora e também não estão a conseguir. Está-se a escrever direito por linhas tortas e a mim não me parece nada mal. Desde que chegando o meu período de lazer as coisas mudem e o cenário seja o normal para essa altura do ano. Que é como quem diz, sol e calor que me permitam uma temporada de praia inesquecível, recheada de momentos sem paralelo que depois possa contar em formato de best of aos outros. Aos que por cá ficaram a carburar no meu lugar, tristes por não terem tido as férias com que sonharam todo o ano.

publicado por migalhas às 10:18

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