TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

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Jul 06

Levará milhões de anos a acontecer, mas o processo já se iniciou. Trata-se de um dos mais surpreendentes fenómenos geológicos da actualidade, que presentemente tem lugar no continente africano. Nada mais nada menos que a maior fenda da crosta terrestre jamais observada no nosso planeta, fenda essa que, a seu tempo, irá gerar a separação da Etiópia e da Eritreia de África. Um fenómeno que não sendo novo (pois é o equivalente ao que esteve na origem da formação dos continentes que hoje observamos) o é para nós e para os nossos contemporâneos, cujos tempos de vida representam um ínfima parte insignificante face aos anos de vida deste velho planeta que nos serve de habitação. Basicamente o que se passa é que as placas tectónicas que formam a África e a Arábia estão gradualmente a separar-se, o que poderá provocar a formação de um novo oceano. Esta fractura recente na crosta terrestre, situada no deserto de Afar (perto do Mar Vermelho), tem vindo a aumentar a uma velocidade vertiginosa, ao ponto de, em apenas três semanas, a fenda ter atingido 8 metros de profundidade ao longo de 60 quilómetros de extensão. Embora este processo de subida de rocha em fusão (magma) que está a preencher a falha e com isso a separar a África da Arábia se esteja a processar a bom ritmo, é coisa para levar ainda um milhão de anos a concretizar-se efectivamente. O que deixa algum tempo para os mais interessados neste tipo de fenómenos deitarem uma olhadela a:

http://www.earth.ox.ac.uk/~timw/dabbahu/photos.html

onde poderão ver imagens várias e impressionantes desta separação que se avizinha. A passos rápidos, dizem os especialistas, mas não o suficiente que nos permita ainda assistir ao resultado final do processo (que os cientistas sustentam ser similar ao que originou a formação do oceano Atlântico), ou a um mísero esboço que nos permita uma imagem minimamente aproximada do que irá acontecer em definitivo. Talvez um descendente nosso muito muito afastado venha a ter esse privilégio. Mas daqui por um milhão (!) de anos, será apenas essa a diferença que irá constatar neste planeta? Se calhar era bom que sim, que fosse apenas essa a grande modificação a que ele e outros como ele assistissem. Pois era sinal de que ainda havia planeta e seres humanos a habitarem sobre ele.

publicado por migalhas às 11:44

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