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TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

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Bolas, bolas!

por migalhas, em 08.06.06

Atenção a todos os homens que dizem “tê-los” no sítio. Agarrem-nos bem agarrados, se possível segurem-nos por via de um seguro especial que cubra quaisquer perdas ou danos tidos com este vosso abono de família. É que, soube-se agora, uma equipa de cientistas do Reino Unido recebeu luz verde das autoridades para investigar a possibilidade de usar células estaminais extraídas dos testículos, com vista ao reparo de tecidos e órgãos danificados. Estes investigadores, do Hospital Hammersmith de Londres, irão assim determinar se as células testiculares são tão versáteis como as células estaminais embrionárias, que podem converter-se em qualquer tipo de tecido do corpo. Se assim for de facto, abrem-se excelentes perspectivas ao desenvolvimento de tratamentos inovadores em doenças tão variadas como as de cariz cardíaco, Parkinson ou lesões da espinal medula. Este método evita que tenha de se recorrer a embriões humanos para obter essas células milagrosas, embriões que actualmente provêm de clínicas de fertilidade ou são criados por clonagem terapêutica, prática que alguns consideram pouco ética por implicar a destruição de embriões. Os cientistas estimam que cerca de 0,3% do tecido dos testículos é constituído por células estaminais, uma das percentagens mais altas no corpo humano. O passo seguinte seria usar as células testiculares para formar outros tipos de tecidos, como o cerebral ou o cardíaco. No futuro, um homem poderia precaver-se - até por que assim passaria a valer por dois – e guardar tecido testicular extraído na juventude para utilizar mais tarde em eventuais lesões de órgãos, sem risco de rejeição. Isto se antes não tiver sido vítima de uma qualquer organização com fins lucrativos que se atire às suas bolas como gato a bofe, com a finalidade de os comercializar junto de quem deles faça uso para o fim aqui descrito. Percebem agora por que comecei este texto alertando para que as tenham permanentemente debaixo de olho? Ah, pois é. Se até aqui quem tinha cu, tinha medo, agora quem tem tomates tem pavor de os ver ser subtraídos, para enriquecimento de terceiros gananciosos que não se contentem com os respectivos. Face ao previsível mercado negro, submundo ilegal, tráfico ilícito que se adivinham destes órgãos específicos - pertença apenas do género masculino -, iremos certamente assistir a um renascer dos eunucos, espécie de homens muito em voga em tempos e a quem era entregue a guarda dos haréns dos sultões muçulmanos de então. Devia ser lixado ter tantas e tantas odaliscas ali à mão de semear e não poder presentear algumas com a bela da sementinha. Pensem na angústia, no desespero, na impotência... e pensem se não vale a pena tudo fazer para continuar a tê-los. Ali, no sítio.

25 anos depois...

por migalhas, em 07.06.06

25 Anos. Tinha eu 15. Parece que foi há uma eternidade. E no entanto, passado tanto tempo desde que pela primeira vez se identificou o vírus da SIDA, ainda hoje não existe cura, ou algo que nos permita ter alguma esperança consubstanciada, para esta praga dos tempos modernos, que, só à sua custa, ceifou já 25 milhões de vidas. 25 Milhões! À media de um milhão/ano. São números arrepiantes, mas que, ainda assim, parecem não demover as autoridades e líderes das grandes potências de darem prioridade a outras áreas. Nomeadamente, a criação de centrais nucleares, bombas atómicas, armamento de última geração e um sem número de outros factores, que apenas contribuirão para mais mortes a adicionar a estas que são já hoje uma realidade. A verdade é que, em 25 anos, ainda não foi descoberta uma vacina para o bicho papão. A 5 de Junho de 1981, estudos realizados em Los Angeles permitiram identificar o VIH e determinar que se estava face a uma doença epidémica. Era apenas o início. O fim, esse, não se adivinha. Era bom, era. As perspectivas não são animadoras e parece que é algo com que vamos ter de conviver durante mais algum tempo. Bom era que não fossem outros 25 anos. Que depressa se encontrasse algo que parasse a sua cavalgada heróica e o deitasse por terra em definitivo. Vamos ter esperança e aguardar por melhores dias. Afinal, tudo tem solução. Porque não também este flagelo?

666

por migalhas, em 06.06.06

6 do 6 de 2006. Dia, mês e ano com o número 6 por terminação. Para os mais distraídos, é apenas uma combinação como outra qualquer. No entanto, para os fanaticamente crentes no que se diz em inúmeras publicações, Bíblia incluída, ou para os adventistas da desgraça, esta combinação de 3 vezes 6 só quer dizer uma coisa: o Diabo vem aí. Mas vem aí, como? Então ele não está já entre nós há imenso tempo? Todos os dias ouço dizer “o diabo para aqui”, “o diabo para ali”, “vai para o diabo”, “o diabo que te carregue”, “tens o diabo no corpo”, “vá de retro Satanás” e tantas outras aplicações dadas ao demo, que me parece que o pobre coitado estará, isso sim, bem mais inclinado para se pôr a milhas daqui para fora. Já há dez anos atrás, precisamente ao dia 6 do mês 6 de 1996, também muito se especulou sobre a chegada do dito cujo cornudo e com ele o fim do mundo. Falou-se mesmo num espectáculo único de labaredas, um inferno de chamas a que ninguém iria resistir. Mas não é o que se passa todos os anos por alturas do Verão neste nosso pequeno país? O flagelo dos fogos que consomem a nossa área florestal a um ritmo avassalador e que devastam tudo à sua passagem? Que inferno pior do que este podemos nós, ou qualquer outro povo, viver? Se ficar sem áreas verdes não é uma versão do fim do mundo, então o que poderá ser? O diabo apresenta-se sob muitos disfarces e na minha opinião uma delas é em forma de pirómano. Verão após Verão, ele renasce com a intenção continuada de nos consumir através da devastação provocada pelos fogos florestais. E nem precisa de esperar pelos dias, meses ou anos terminados em 6 para o fazer. A ideia do demo é mesmo a de tentar levar-nos de vencida pela exaustão. Tipo lança-chamas, ele varre o país de lés-a-lés com a sua fúria, na esperança de que algum governante algum dia lhe faça frente com um plano concreto de combate aos incêndios. Mas nada. Até neste particular o pobre diabo tem mais uma razão para se pôr a mexer. Emigrar para onde alguém lhe dê alguma importância. Por que aqui, por estas paragens, bem pode ele puxar pela imaginação que em resposta à sua fúria, à sua veia devastadora, receberá, quanto muito, uma boa dose de... indiferença! A ficar por cá, prevejo que um dia destes ainda amoleça ao ponto de passar de besta a bestial enquanto o diabo esfrega um olho! Cá estamos nós para ver. Uma vez que o mundo não vai acabar, nem hoje, nem tão depressa, como muitos apregoam a viva voz.

Os fura casamentos

por migalhas, em 05.06.06

Cada vez são menos os que cumprem os votos do sagrado matrimónio. Menos os que se responsabilizam e prometem, pelo menos na hora do sim, em ficar do lado do outro no bem e no mal, na saúde e na doença, até que a morte os separe. Hoje, não só se separam muito antes da morte ter esse obséquio, como são cada vez menos os que nem chegam a dar o primeiro passo, o de se casarem. Face aos dados recentes do INE, o número de casamentos em Portugal continuou a baixar pelo sétimo ano consecutivo, sendo que em 2005 ocorreram apenas 48.667, número que só encontra paralelo no ano de 1940, então com 46.618 casamentos registados. 1975 continua a ser o ano em que houve maior número de matrimónios (103.125), isto desde 1900. Desde esse ano recorde e até 2005, tem sido sempre a diminuir. A malta junta os trapinhos, vive em pecado, mas casar, está quieto! Também para quê, se meses depois estão no guichet ao lado daquele em que trataram dos papéis do casório a pedirem precisamente a anulação deste? Assim poupa-se papelada, burocracia e se não se entenderem, separam-se e amigos como sempre. De facto, é muito mais prático. Mais uma fantástica contribuição destas gerações mais novas que, assim, vêm mostrar aos mais velhos como é que vai sendo moda fazer-se, no que a relações diz respeito.

O que é preciso é ter lata!

por migalhas, em 02.06.06

A velha máxima “De Espanha nem bom vento, nem bom casamento” está prestes a ser questionada. E tudo devido à incrível criação de um designer de moda espanhol, o Manel Torres, que desenvolveu um tecido em... spray! É isso que leram, spray. Perante esta possibilidade, uma revolução na indústria da moda é o mínimo que se pode aguardar. O dito spray é composto por fibras de algodão líquidas, que em contacto com o ar adquirem instantaneamente a consistência de um tecido normal. Uma vez pulverizadas sobre o corpo, as fibras juntam-se para formar uma peça de roupa efémera e descartável. Como as fibras são distribuídas de uma forma difusa, podem ser adicionados outros elementos, como perfumes ou pigmentos. Inicialmente, a trama do tecido é manifestamente fina, mas se se pulverizar mais líquido consegue-se obter um tecido mais denso. O tecido é suficientemente flexível para criar produtos de características variadas, de modo a servir as necessidades da indústria da moda, da indústria automóvel, de empresas de limpeza e do sector médico. “É suave como a seda para algumas aplicações, ou resistente como o cânhamo para outras”. Ainda existem alguns detalhes a acertar, como aumentar a resistência do tecido e garantir que o material é biodegradável e não agressivo para a pele, mas se tudo correr como planeado a invenção chega ao mercado daqui a dois anos. Fabrican é o seu nome e, como o próprio indicia, é um tecido numa lata, que visa tornar a vida mais cómoda, saudável e divertida. Já viram bem as potencialidades desta invenção? Imaginem o espaço que se vai poupar em armários, caixas para guardar a roupa de Inverno ou de Verão, malas de viagem... Basta andar com duas latitas do dito spray e estamos vestidos para qualquer ocasião, casual ou não. Vamos almoçar e pimba! Sopa nas calças! Saca-se da lata e zás! Calças novas. Estamos com a amante e eis que ela se entusiasma e nos enche a camisa de batom. Nada está perdido. Puxa-se da lata e pulveriza-se o corpo. Em segundos estamos novamente prontos para a farra. Noite de copos, enjoos, oh Gregório! O cheiro nauseabundo que se segue, e que afectou quase 100% das nossas vestes, depressa deixa de ser impeditivo para continuarmos a aproveitar as dádivas da noite. Tira-se a lata do porta-luvas do carro, spray nele e ainda a noite é uma criança! Fico-me por aqui, pois as possibilidades são para lá de muitas. Penso que todos concordarão quando digo que, a resultar, esta será a mais interessante criação dos últimos anos. Logo após o iPod, claro! 

Dia da Criança

por migalhas, em 01.06.06

Hoje é o dia universalmente dedicado aos mais pequenitos. Um dia em que muito se diz, muito se discute, mas depois, na prática, nos restantes 364 ou 365 dias do ano, são notícias como as reveladas ontem pela Associação de Apoio à Vítima (APAP) que acabam por ter o maior protagonismo. Na mesma podia ler-se que, no último trimestre, perto de uma centena de crianças foi vítima de maus-tratos, a maioria praticados pelos próprios pais. Os crimes mais praticados contra crianças são os maus-tratos psíquicos (53 casos), seguindo-se os maus-tratos físicos (31 casos). A estatística adianta ainda que a maioria dos crimes (39,2%) ocorreu em crianças entre os 11 e os 17 anos, seguindo-se a faixa etária entre os seis e os 10 anos (27,8%) e a dos bebés até três anos (19,6%). Os dados traçam ainda o perfil do agressor, indicando que seis em cada dez são os próprios pais. A maioria dos agressores (81%) são homens com idades entre os 36 e os 45 anos e casados (44,3%). As cidades de Faro (21,7%), Lisboa (21,7%) e Porto (20,6%) são as que apresentam maior número de crianças vítimas de situação de violência. Uma vez que estas cidades registam uma densidade populacional superior ao restante do país, bem como uma maior facilidade na circulação de informação, o que permite um acesso mais rápido aos serviços da APAV, é de prever que os números sejam bem mais assustadores. Isto já para não referir aqueles casos que nunca chegam propriamente a sê-lo, por falta de denúncia que permita vir a conhecê-los. Quantas e quantas crianças, por este país fora, por este mundo inteiro, sofrerão na pele os actos cobardes daqueles que deveriam ser os primeiros a tudo fazer para garantir a sua segurança e crescimento salutar? Quantas são ainda escravizadas, vítimas de tarefas que não lhes compete a si ou ignoradas e deitadas à vida para que esta decida o que com elas fazer? Agora que sou pai e que deparo todos os dias com a fragilidade que representa uma criança em crescimento, questiono a sanidade de quantos se dedicam a extravasar a sua fúria, a expurgar os seus traumas, a vingarem uma vida que lhes é madrasta, na figura da criança com que vivem sob o mesmo tecto. Nem no reino animal existe tanta repulsa entre o progenitor e a sua cria. Que hoje se volte a questionar o que está mal e como é possível combatê-lo, de forma a permitir às crianças de todo o mundo que cresçam devagar, passo a passo, encarando os factos da vida ao seu ritmo e que sintam segurança e carinho no seio da família a que pertencem, olhando para os seus elementos adultos como pilares de uma vida feliz e cheia de esperança. Por que são crianças, por que fomos nós que as trouxemos ao mundo e por que lhe devemos tudo isso e muito mais que nos seja possível dar. Para a minha Sara, que este seja o primeiro de muitos dias da criança que connosco celebre em harmonia, paz e muita, mas mesmo muita alegria. Com um grande beijinho do pai.     

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