TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

06
Jun 06

6 do 6 de 2006. Dia, mês e ano com o número 6 por terminação. Para os mais distraídos, é apenas uma combinação como outra qualquer. No entanto, para os fanaticamente crentes no que se diz em inúmeras publicações, Bíblia incluída, ou para os adventistas da desgraça, esta combinação de 3 vezes 6 só quer dizer uma coisa: o Diabo vem aí. Mas vem aí, como? Então ele não está já entre nós há imenso tempo? Todos os dias ouço dizer “o diabo para aqui”, “o diabo para ali”, “vai para o diabo”, “o diabo que te carregue”, “tens o diabo no corpo”, “vá de retro Satanás” e tantas outras aplicações dadas ao demo, que me parece que o pobre coitado estará, isso sim, bem mais inclinado para se pôr a milhas daqui para fora. Já há dez anos atrás, precisamente ao dia 6 do mês 6 de 1996, também muito se especulou sobre a chegada do dito cujo cornudo e com ele o fim do mundo. Falou-se mesmo num espectáculo único de labaredas, um inferno de chamas a que ninguém iria resistir. Mas não é o que se passa todos os anos por alturas do Verão neste nosso pequeno país? O flagelo dos fogos que consomem a nossa área florestal a um ritmo avassalador e que devastam tudo à sua passagem? Que inferno pior do que este podemos nós, ou qualquer outro povo, viver? Se ficar sem áreas verdes não é uma versão do fim do mundo, então o que poderá ser? O diabo apresenta-se sob muitos disfarces e na minha opinião uma delas é em forma de pirómano. Verão após Verão, ele renasce com a intenção continuada de nos consumir através da devastação provocada pelos fogos florestais. E nem precisa de esperar pelos dias, meses ou anos terminados em 6 para o fazer. A ideia do demo é mesmo a de tentar levar-nos de vencida pela exaustão. Tipo lança-chamas, ele varre o país de lés-a-lés com a sua fúria, na esperança de que algum governante algum dia lhe faça frente com um plano concreto de combate aos incêndios. Mas nada. Até neste particular o pobre diabo tem mais uma razão para se pôr a mexer. Emigrar para onde alguém lhe dê alguma importância. Por que aqui, por estas paragens, bem pode ele puxar pela imaginação que em resposta à sua fúria, à sua veia devastadora, receberá, quanto muito, uma boa dose de... indiferença! A ficar por cá, prevejo que um dia destes ainda amoleça ao ponto de passar de besta a bestial enquanto o diabo esfrega um olho! Cá estamos nós para ver. Uma vez que o mundo não vai acabar, nem hoje, nem tão depressa, como muitos apregoam a viva voz.

publicado por migalhas às 15:31

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