TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

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Jun 06

Hoje é o dia universalmente dedicado aos mais pequenitos. Um dia em que muito se diz, muito se discute, mas depois, na prática, nos restantes 364 ou 365 dias do ano, são notícias como as reveladas ontem pela Associação de Apoio à Vítima (APAP) que acabam por ter o maior protagonismo. Na mesma podia ler-se que, no último trimestre, perto de uma centena de crianças foi vítima de maus-tratos, a maioria praticados pelos próprios pais. Os crimes mais praticados contra crianças são os maus-tratos psíquicos (53 casos), seguindo-se os maus-tratos físicos (31 casos). A estatística adianta ainda que a maioria dos crimes (39,2%) ocorreu em crianças entre os 11 e os 17 anos, seguindo-se a faixa etária entre os seis e os 10 anos (27,8%) e a dos bebés até três anos (19,6%). Os dados traçam ainda o perfil do agressor, indicando que seis em cada dez são os próprios pais. A maioria dos agressores (81%) são homens com idades entre os 36 e os 45 anos e casados (44,3%). As cidades de Faro (21,7%), Lisboa (21,7%) e Porto (20,6%) são as que apresentam maior número de crianças vítimas de situação de violência. Uma vez que estas cidades registam uma densidade populacional superior ao restante do país, bem como uma maior facilidade na circulação de informação, o que permite um acesso mais rápido aos serviços da APAV, é de prever que os números sejam bem mais assustadores. Isto já para não referir aqueles casos que nunca chegam propriamente a sê-lo, por falta de denúncia que permita vir a conhecê-los. Quantas e quantas crianças, por este país fora, por este mundo inteiro, sofrerão na pele os actos cobardes daqueles que deveriam ser os primeiros a tudo fazer para garantir a sua segurança e crescimento salutar? Quantas são ainda escravizadas, vítimas de tarefas que não lhes compete a si ou ignoradas e deitadas à vida para que esta decida o que com elas fazer? Agora que sou pai e que deparo todos os dias com a fragilidade que representa uma criança em crescimento, questiono a sanidade de quantos se dedicam a extravasar a sua fúria, a expurgar os seus traumas, a vingarem uma vida que lhes é madrasta, na figura da criança com que vivem sob o mesmo tecto. Nem no reino animal existe tanta repulsa entre o progenitor e a sua cria. Que hoje se volte a questionar o que está mal e como é possível combatê-lo, de forma a permitir às crianças de todo o mundo que cresçam devagar, passo a passo, encarando os factos da vida ao seu ritmo e que sintam segurança e carinho no seio da família a que pertencem, olhando para os seus elementos adultos como pilares de uma vida feliz e cheia de esperança. Por que são crianças, por que fomos nós que as trouxemos ao mundo e por que lhe devemos tudo isso e muito mais que nos seja possível dar. Para a minha Sara, que este seja o primeiro de muitos dias da criança que connosco celebre em harmonia, paz e muita, mas mesmo muita alegria. Com um grande beijinho do pai.     

publicado por migalhas às 13:06

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