TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

06
Jan 06
Publica-se hoje, dia 6 de Janeiro de 2006, o último número (nº 475) do Dna, o suplemento de sexta-feira do Diário de Notícias. Escassos nove anos após o seu nascimento, é com alguma mágoa que vejo terminar mais um capítulo do que de muito bom se faz por estas paragens. Tudo o que começa tem um fim. É a mais pura das verdades. Mas terá esse fim necessariamente de se aplicar às melhores coisas da vida? Claro que sim. Aliás, e por norma, são essas as mais efémeras, as que mais prematuramente vêem chegada a sua hora, quantas e quantas vezes ainda com tanto para dar. Um projecto destes merecia mais. Mais tempo, mais apoio, mais dedicação de quem nele apenas procurou o lucro. Este é o tipo de projecto que deveria ser acarinhado, incentivado e nunca morto, praticamente à nascença. Claro que é apenas um capítulo de escassos nove anos na vida de um jornal com 140, como diz Pedro Rolo Duarte na sua derradeira crónica. Claro que outros começos se anunciam e são esses que devem ser saudados. Concordo. Só discordo no facto de a vida de uns projectos estar dependente do óbito de outros. Outros como este. Único, de valor incalculável, de uma importância que deixa uma lacuna difícil de preencher. Mesmo por esses novos nascimentos que se anunciam. Não me parece que Portugal ganhe com esta decisão, a todos os níveis, polémica. Enquanto respirou, o Dna foi uma referência não só a nível interno, mas também fora de portas. Algo que se traduziu num número recorde de prémios de todos os géneros, de que poucas publicações nacionais se podem orgulhar. Embalados por um design gráfico irrepreensível, encontrámos durante nove anos artigos de excelência, crónicas imperdíveis, fotografias soberbas, entrevistas sempre oportunas e uma informação didáctica só possível graças à humildade de que deve sempre ser feito o jornalismo. Tenho pena de o ver partir. Assim como tenho pena de ver partir outra grande publicação de referência que é a Grande Reportagem. É uma semana negra para o jornalismo nacional. Depois do desaparecimento de Carlos Cáceres Monteiro, igualmente um nome maior do jornalismo, fica ainda marcada pelo fim já anunciado destas duas publicações. Que ricas entradas! É caso para perguntar: será que mesmo fazendo o melhor trabalho possível, por todos reconhecido e até premiado, não chega? Pelos vistos no nosso país não. É pena. Pois quem paga são os apreciadores da qualidade. Uma espécie em vias de extinção, neste nosso Portugal dos pequeninos.
publicado por migalhas às 11:13

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