TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

04
Mai 05
Cada vez me convenço mais de que o nosso corpo físico mais não é do que o espelho do nosso estado psíquico e psicológico. Entenda-se por psíquico a alma e por psicológico a mente. Hão-de reparar se de cada vez que se vão abaixo psicologicamente o “invólucro”, ou seja o nosso corpo, não se ressente logo. É fatal com o destino. Parece um barómetro a indicar-nos que algo está mal e que devemos parar um pouco para pensar no quê. Sim, porque muitas das vezes nem sequer nos apercebemos da causa desta ou daquela dor e que ela pode - e estará certamente - dependente de assuntos pendentes que temos para resolver connosco mesmo. E esses são os que mais custam. Olharmo-nos ao espelho, não como o fazemos quase diariamente para nos pentearmos ou fazermos a barba, mas olharmo-nos nos nossos próprios olhos e confrontarmo-nos com o eu que ali vemos reflectido. Porque aquele somos nós. E, gostemos ou não, muitas vezes temos de o enfrentar e com ele discutir assuntos que urgem ser resolvidos e devidamente solucionados, para que não seja o pobre do nosso corpinho a arcar com as suas consequências. Já dizia o falecido António Variações “quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga”. Se calhar não com o mesmo sentido que aqui pretendo transmitir, mas ainda assim revelador duma consciência generalizada de que a consequência do nosso agir, do nosso pensamento, das nossas crenças e ideologias, se repercute algures em nós mesmos. Ou, se quisermos, um primeiro passo no sentido de que somos nós próprios os primeiros a sentir as reacções às nossas próprias acções, numa clara consequência directa das mesmas. “Cá se fazem, cá se pagam”, “não faças aos outros o que não queres que te façam a ti”, “o que fizeres aos outros voltar-se-á contra ti a dobrar” e tantas outras frases feitas, são o reflexo claro e consciente de que acção gera reacção e que é sobre nós, em primeira instância, que esta se abaterá com toda a sua ira. E nem vale a pena pensar que não é assim, que tudo isto é de uma enorme futilidade e que no fim, na hora de fazermos a contabilidade final, se passa uma esponja sobre o assunto e remamos todos juntinhos e felizes em direcção ao tão almejado céu. Céu, paraíso, o que lhe quiserem chamar. Feita a asneira, cá estaremos para pagar por ela. Da mesma forma que feita uma boa acção também esta será alvo da devida retribuição. Basta pensar na sensação indescritível que nos invade de cada vez que protagonizamos uma boa acção. Uma retribuição que é imediata e que nos deixa bem connosco mesmo. Agora procedam lá de forma errada a ver o que acontece. A consciência pesa, as insónias aparecem, uma sensação de continuado desconforto apodera-se de nós e quantas vezes não abortamos ou tentamos remediar parte desse mal já feito. Pois é. A retribuição não só é imediata, como se prolonga ainda dolorosamente no tempo, corroendo, moendo por dentro, como que querendo levar-nos à loucura por aquilo que despoletámos com as nossas acções. Claro que existem pessoas sem escrúpulos a quem as más acções já pouco parecem afectar. Mas afectam, acreditem. Sempre. E pior do que isso, é que terão de viver para sempre com elas na consciência, pois ao espelho não se conseguem ver para fazerem o juízo que os despertaria para a mudança. Porque todos nascemos puros e bons. E se pelo caminho nos perdemos, a culpa é só nossa. Porque algures na viagem deixámo-nos deslumbrar por aquele outro que julgávamos ser o nosso eu e permitimos-lhe que se apossasse de nós, quebrando a partir daí qualquer possibilidade de recuo que nos permitisse ainda um entendimento honesto e sincero connosco mesmo.
publicado por migalhas às 15:31

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