TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

27
Abr 05
Realmente sinto-me indeciso quanto ao que chamar-lhes. Se tiques, se manias, se outra coisa qualquer. Mas a verdade é que são pequenas coisas que diariamente protagonizo e que não consigo deixar de o fazer. Às vezes, a alguma distância de já as ter feito, assumem um papel de perfeitas idiotices, mas vá-se lá dizer isso na hora do aperto. Nem sei se deveria estar aqui a revelar estes meus actos tão íntimos, pois sei que são coisas apenas minhas e que pouco ou nada dirão às outras pessoas. Coisas parvas que vão de simples superstições, como bater 3 vezes na madeira quando vejo um carro funerário, evitar passar debaixo de uma escada, não me cruzar com gatos pretos nos dias 13 de cada mês, a cenas típicas do quotidiano, como largar gases apenas em situações em que me seja possível manter o anonimato, coçar certas partes fora das vistas alheias, não tocar em objecto algum de qualquer casa de banho pública - para isso fazendo-me valer do sempre útil papel higiénico -, tentar apanhar a boleia de alguém que antes de mim abra as portas do centro comercial para não ter de ser eu a fazê-lo, distribuir os objectos por bolsos tendo sempre o cuidado de não misturar o telemóvel com as chaves do carro, tentar ser discreto na hora de mirar um decote ou um rabo de fêmea que por nós tenha passado e nos tenha deixado boquiabertos, atravessar nas passadeiras usando apenas as faixas brancas pintadas no asfalto, fazer mira a pessoas e a outros condutores usando as caganitas que sujam o pára-brisas do carro, parar de cantar as músicas que passam no auto-rádio quando chegamos junto de outro veículo, tentar que algo saia de determinada forma por nós estabelecida sob pretexto de que alguma coisa nos pode acontecer se assim não for, fazer de conta que não vemos quando alguém se aproxima de nós com o intuito de tentar vender algo ou pedir esmola, fazer a barba seguindo sempre a mesma ordem de movimentos, fazer a mijinha da noite às escuras e sentado na sanita, calçar sempre o ténis do pé direito primeiro, não tirar os olhos do relógio até que se concretize mais um minuto, voltar atrás para garantir que a porta do carro ficou fechada, nunca trazer o livro que está no topo da pilha ou aquele produto que se encontra mais à mão, tentar não pisar os traços contínuos quando mudamos de faixa, e tantas outras coisas que de momento não tenho presente para aqui contar. Coisas só minhas, que não consigo evitar fazer seja lá por que razão for. Que nome lhes dar, isso não sei. Se calhar são taras que se apoderam de mim, levando-me a fazer certas figuras que bem podiam ser evitadas. Mas são mais fortes do que nós, como um vício que se apodera da nossa vontade, levando-nos a repetir vezes sem conta cada um desses actos. Também não me parece que os seus efeitos sejam malignos ou prejudiquem quem quer que seja, pelo que me sinto autorizado a continuá-los. De qualquer das formas, só eu é que os conheço, só eu é que os protagonizo. Por isso, também ninguém tem nada a ver com o assunto, verdade?
publicado por migalhas às 17:02

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