TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

10
Nov 04
Assisti ontem àquele que considero ter sido o melhor espectáculo que já me foi dado a presenciar até à data. O verdadeiro espectáculo de luz e cor de que tantas vezes se ouve falar, mas a que se juntou um som de uma excelência difícil de igualar e uma actuação apenas ao alcance dos melhores. Estou a falar do concerto dado pelo agrupamento germânico Rammstein, uma banda que tem vindo a afirmar-se no panorama musical mundial por via da sua original sonoridade e que ontem não deixou por mãos alheias os créditos que os tornaram famosos em actuações ao vivo. Com um Pavilhão Atlântico a rebentar pelas costuras e uma primeira parte cheia de vitalidade, a cargo de um outro grupo que até então desconhecia mas que se mostrou à altura dos acontecimentos - Exilia de seu nome -, estava criado o ambiente para o que ainda haveria de vir. Com uma entrada ao som do tema "Reise, Reise", título que dá igualmente nome ao seu mais recente trabalho, e uma literal queda do pano de fundo - que revelou o porquê da estranha e até então notória ausência de todo o equipamento de que sempre se reveste um palco pronto a ser tomado de assalto por uma banda de rock -, os Rammstein colocaram de imediato a seus pés as centenas de fãs que os aguardava com vibrante expectativa. O que se seguiu foi do melhor que se poderia esperar. Um complexo, colorido e mutável jogo de luzes seguia de perto todo o elaborado aspecto cénico que os elementos colocam nas suas actuações, a que não faltaram os elementos pirotécnicos que tanta fama lhes tem granjeado ao longo dos anos. Com um som límpido e cristalino, onde cada instrumento era perfeitamente audível, uma audiência sincronizada e afinada, quer com as letras - incrível, se pensarmos que cantam exclusivamente em alemão -, quer com cada um dos temas e um profissionalismo sem mácula tipicamente "made in Germany", os Rammstein viram-se obrigados a dois "encores" e a muito suor que, sabiam da sua anterior passagem por Portugal, teriam de deixar em palco de forma a satisfazerem este que continua a ser um dos melhores e mais exigentes públicos do mundo. Os temas - na sua maioria bem conhecidos de quem ali se deslocou na noite de ontem - desfilaram a um ritmo frenético e sem a habitual intimidade que é costume algumas bandas encetarem com o público. Nada de conversas ou diálogos - postura fria e distante, típica do povo alemão - num espectáculo onde ninguém deu por mal empregue o seu tempo ou dinheiro. Em resumo, foi uma noite digna de registo e sorte a daqueles que tiveram a felicidade de assistir a mais uma passagem dos Rammstein pelo nosso país. Visitem-nos eles mais vezes e seguramente encontrarão a mesma disposição e o mesmo entusiasmo que ontem visivelmente transbordava do Pavilhão Atlântico, no Parque das Nações. Long live rock'n'roll!
publicado por migalhas às 17:07

Se existe bebida que grande percentagem da população ocidental hoje em dia não dispensa, ela é o café. Mesmo não detendo o título de bebida mais antiga da humanidade - pertença do chá, que é claramente preferido pelo Oriente - o café possui já um historial digno de nota. Mas saberão os seus devotos consumidores qual a origem deste excitante natural dos tempos modernos? Originário da Arábia, o café deu entrada no Ocidente em meados do século XVII e desde então se tem imposto como uma das mais requisitadas bebidas de que há memória, granjeando por todo o lado numerosas fileiras de fiéis adeptos. De tal forma, e com tal convicção, muitos desses adeptos se rendem aos seus encantos, que atingem mesmo um grau de dependência por vezes difícil de explicar. Veja-se o caso dos povos nórdicos - nomeadamente os finlandeses - que, quem sabe para combaterem as baixas temperaturas que são quase uma constante nas suas vidas, se atiram ao café como cão ao bofe. Segundo as estimativas, bebem cerca de 13 quilos de café por ano e por habitante, o que traduzido em doses diárias dá qualquer coisa como cinco chávenas de café por dia! Mas, e felizmente para eles, dizem os entendidos que o café que consomem de forma quase desalmada é fraco e desconsolado. O mesmo se passa aqui ao lado, na nossa vizinha Espanha, que, em matéria de café propriamente dito, fica igualmente aquém das nossas melhores expectativas. Quem não se desiludiu já com a suspeita mistura de café com leite com que respondem ao nosso pedido pós-repasto? E cuidado se forem à Turquia. Não é que tenha a ver com a qualidade do café que por lá se bebe, mas antes com as indesejáveis borras no fundo da chávena, resultado da fervura de que é alvo durante o seu processo de preparação. Algo que, para os mais incautos, pode revelar-se uma desagradável surpresa! Donde se conclui que, deste lado da Europa, são claramente as variantes mais afamadas aquelas que maior consenso reúnem. Do suave capuccino - coberto por uma nuvem de leite e chocolate em pó - ao elegante café vienense - a que sempre se adiciona uma pequena dose de chantilly -, passando pelos clássicos irish coffee - nas proporções de 2/3 de café para 1/3 de whiskey, acrescentados de natas espessas e açúcar mascavado - ou o chamado "café com cheirinho" - de aroma e paladar alcoólicos resultantes da adição de aguardente - todos encontram adeptos que lhes veneram a existência. Tido em tempos como estimulante de conversas mundanas ou literárias, hoje fica-se mais pelas primeiras, servindo igualmente o propósito de manter despertos muitos daqueles que dele dependem para prolongar as suas horas de expediente ou de estudo, numa luta renhida contra o cansaço e o sono que naturalmente os afecta. Seja como for, goste-se mais ou goste-se menos, raros são os que prescindem do aroma único e das características tão próprias que só o café pode proporcionar. Bebido com moderação e quando realmente apetece, pode ser um prazer que dificilmente encontra rival à altura. Quem sabe, conhece bem do que falo. Vai uma bica?
publicado por migalhas às 15:25

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