TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

08
Out 04
É incrível averiguar a imensa falta de educação que grassa nos dias de hoje como se de uma epidemia se tratasse. Para tal, basta estar minimamente atento e constatar que este é seguramente um mal que se propaga a bom ritmo e ao qual não se antevê um fim ou sequer um abrandamento. Pelo menos para breve. É enorme a quantidade de pessoas que pouco ou nada está interessada em ser cordial ou, já nem peço tanto, simplesmente bem educadas para com as outras com que têm de lidar diariamente. E se passamos bem - ou pelo menos não somos grandemente afectados - com a falta de educação de algumas dessas pessoas, já com outras a coisa fia mais fino. Falo em particular daquelas pessoas que estando atrás de um balcão, numa caixa registadora ou simplesmente numa loja a prestar aconselhamentos, deveriam ter o mínimo de cuidado no trato que colocam perante os seus clientes. Não raras são as vezes em que entro numa loja e, hábito meu que tem vindo a cair em desuso, cumprimento quem está presente com a saudação que se adequa à hora do dia em que nos encontramos, sem obter qualquer tipo de resposta. Por vezes chego mesmo a repeti-la, na esperança ingénua de que o meu tom de voz não se tenha ouvido por qualquer razão. E novamente reina o silêncio. Claro que poderia ficar todo o tempo em que permaneço no estabelecimento a cumprimentar ininterruptamente quem por lá se encontra até ser devidamente alvo de uma resposta condizente. Mas como eu também não sou daquelas pessoas que primo pela notoriedade e muito menos gosto de protagonizar situações caricatas que me coloquem em xeque perante estranhos, opto por pensar que se há ali alguém que está em falta, esse alguém não serei eu com toda a certeza. Mas há vezes em que irrita e apetece mesmo pegar pelos colarinhos daquelas alminhas e perguntar-lhes se foi aquela a educação que lhes deram. Custará assim tanto responder com um bom dia ou uma boa tarde? É que, parecendo que não, pode ser o suficiente para alterar a disposição de quem entra na loja - ou onde quer que seja recebido sem quaisquer modos - e depois ainda são capazes de se fazerem de "coitadinhos" e virem-se queixar de que têm uma actividade em que se encontra de tudo, de todo o género de pessoas. Pudera, a receberem assim os clientes naquele que é o seu local de trabalho, nem a mim me admira que tal não aconteça muito mais vezes. E só tenho pena que não aprendam ou que não entendam que o mal está neles e não nos outros. Pois se queremos gerar bom ambiente à nossa volta, temos de ser nós os primeiros a contribuir para que tal aconteça. Sem um esforço, por mínimo que seja, as coisas não se concretizam. Ou então tirem de lá aqueles empecilhos e coloquem máquinas nos seus lugares. Pelo sim, pelo não, já falamos para as paredes e nesse caso nem iríamos estranhar sermos atendidos sem educação ou com uma gritante falta de modos. Para terminar deixo apenas um exemplo que me aconteceu e que ainda hoje me custa a crer que tenha sido verdade. Dirigi-me a um bar de um centro comercial e fui atendido por uma empregada brasileira. Por acaso até respondeu às boas noites que lhe dei, não foi esse o caso. O que aconteceu de insólito foi com o meu pedido. Que eu julgava ser a coisa mais simples e óbvia do mundo, mas que esbarrou numa ignorância inaceitável por parte de quem está num bar a atender. Ou seja, ao pedir uma 7Up, fui confrontado com a mais difícil explicação que já alguma vez tive de dar para algo que, de tão banal e conhecido, se torna ainda mais complicado de fazer entender o que é. Acabei a beber uma água, embora a minha vontade fosse a de beber para esquecer. Esquecer que situações destas ainda são possíveis em pleno século XXI.
publicado por migalhas às 13:57

04
Out 04
Está de volta a praga dos caçadores. Uma praga que considero ao nível da dos fumadores ou dos condutores que pecam por uma flagrante falta de civismo. E tudo porque não respeitam as leis que lhes exigem comedimento e restrições naquilo que protagonizam. É sabido que não podem caçar a menos de 500 metros das zonas residenciais, que não o podem fazer fora das zonas exclusivamente destinadas a essa actividade e que existe um horário estipulado para a realização desses seus intentos selváticos de tirar vidas por via do uso abusivo da força. Mas teimosos, insistem em forçar cada regra ao limite, indo mesmo para além das mesmas, sem que se sintam minimamente incomodados com tais infracções. Acordam as pessoas logo pela madrugada - quando estas ainda dormem - com tiroteios que mais se assemelham a zonas de combate como aquelas que vemos todos os dias na televisão, prolongam as caçadas bem para lá das horas limites e caçam inclusive espécies que não constam do "cardápio" das que se podem matar. Disparam as suas armas furiosas logo ali ao lado das casas devidamente habitadas, como que desejosos de fazer ver ao outros que são eles que possuem o poder bélico capaz de aniquilar a pouca bicharada que ainda resiste às suas ofensivas. E se calhamos a refilar, ainda somos sujeitos a argumentações estúpidas e de todo fora de propósito, para além de termos de aturar um vernáculo a todos os níveis deplorável. Até pode ser que nem todos os amantes da caça estejam ao nível boçal destes energúmenos que tudo fazem para acabar com o sossego e a paz que, supostamente, se deveria viver nas zonas rurais aos fins de semana. Mas, verdade seja dita, ou a classe toma medidas de combate à existência de elementos deste tipo nas suas fileiras e que tão má fama dão aos seus congéneres - quem sabe uma espécie de direito de admissão - ou não tarda passarão a ser vistos todos por igual, como um bando de irresponsáveis que, de arma em punho, vão por esse país fora espalhando barulho, falta de respeito e muito lixo à sua passagem. E mais engraçado ainda, é vê-los depois de toda esta "palhaçada" que armam em cada dia de caça, virem reclamar por condições que se dizem no direito de exigir, sob a desculpa de que se sentem injustiçados e ignorados pelos orgãos responsáveis por essa sua actividade. Fosse eu a mandar e não só os obrigava a recolher todos os cartuchos que se amontoam à sua passagem, como ainda eram obrigados a pagarem elevadas multas por interferirem ininterruptamente com o descanso que as pessoas civilizadas e avessas a detonações sem sentido têm de aturar de cada vez que se inicia uma nova época de caça. Como muitos fumadores e condutores da nossa praça a quem falta respeito e um pouco de educação que lhes permita viver em sociedade, também os caçadores se sentem vítimas de uma descriminação que dizem não entender. Experimentem fazer uso de um pouco do civismo que constantemente desprezam e, quem sabe, se faça luz nas suas cabecinhas apenas vocacionados para a "matança" que só vêem à frente e que lhes obstrui a visão de uma realidade que cada vez menos se coaduna com actos selvagens como os que protagonizam e que, com a finalidade de satisfazer o gozo pessoal de matar, os conduz à perseguição impiedosa das mais variadas espécies animais indefesas com o intuito único de as privar das suas pacíficas vidas.
publicado por migalhas às 23:36

01
Out 04
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", dizia o poeta. Mas nem ele sabia o quanto estava correcto. Hoje, com o advento das novas tecnologias, damos connosco a dizer coisas que há uns tempos atrás apenas poderiam ser atribuídas a quem sofresse de algum atraso mental. E tudo por culpa dos avanços tecnológicos que agora proporcionam coisas capazes de espantar o espírito mais aberto e receptivo. Dizer coisas como "esta manhã o telefone não despertou", "queres ir ver um DVD no carro do meu pai", "tira-me aí uma fotografia com o teu telefone novo" ou "vou gravar um CD no computador", passaram a ser banalidades a que todos, sem excepção, teremos de aderir o quanto antes, sob pena de podemos ser acusados de retrógados e vistos com os mesmos olhos com que dantes nós próprios olhávamos os nossos pais e avós por não entenderem o que no nosso tempo era considerado um avanço. Só de pensar que a geração actual não vai sequer tomar contacto com coisas que eram correntes há cerca de vinte anos atrás, como o vinil, o VHS, o escudo (a nossa ex-moeda), o Spectrum 48K, a inexistência do telemóvel ou a incomparável figura que foi José Cid, só para referir alguns exemplos marcantes, deixa-me desgostoso. Não sentirem as dificuldades de quem apanhou certas e determinadas mudanças ainda no seu período de testes e de aperfeiçoamentos, parece-me a mim, vai tornar a vida desta nova geração muito mais facilitada, mas, e porque "não há bela sem senão", igualmente desprovida dos desafios que então nos eram colocados ao sermos confrontados com as novidades da época. Hoje não há miúdo que ao completar 10(!) anos não seja desde logo presenteado com um telemóvel da última geração. Hoje não há menino, ou menina, que não vá para a sua universidade ao volante de um potente Audi TT ou de um qualquer todo-o-terreno último modelo. Hoje não há adolescente que não se vista dos pés à cabeça com as mais caras marcas de roupa ou de calçado. Hoje não há miúdo que não tenha uma semanada n vezes superior ao que era então uma mesada e, ainda assim, só para uma minoria privilegiada. Em resumo, hoje já nada é o que era. E atenção, não fiquem para aí a pensar que eu sou um "quadrado" anti-progressista, nada disso. Pobres dos que ficam estagnados e não se conseguem adaptar ou sequer acompanhar os novos ritmos. O que eu acho é que, hoje, aqueles que serão seguramente o futuro da nossa sociedade, não experimentam nem um terço das dificuldades com que muitos de nós tivemos de lidar. E que contribuíram para que possamos dar outro valor às coisas que conquistámos à força de muita dedicação, esforço e trabalho. Parece-me a mim que hoje é tudo muito mais facilitado e as coisas aparecem do nada sem que tenha de haver um mínimo de esforço por parte de quem recebe ou muitas vezes exige. E isso, a meu ver, pode ser um valente obstáculo na hora de serem confrontados com a realidade nua e crua que se vive fora da alçada protectora dos pais, que, mais cedo ou mais tarde, terão de abandonar. Porque lá fora, na selva a que todos são lançados, não há compadecimentos para com aqueles que sempre tiveram a "papinha toda feita". E esses, doa a quem doer, vão ser os que mais vão sentir a falta das dificuldades e dos desafios que nunca tiveram de enfrentar e, consequentemente, ultrapassar, para saberem lidar com uma vida que é tudo menos um "mar de rosas" ou o "conto de fadas" que sempre ouviram contar.
publicado por migalhas às 14:44

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