TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

27
Dez 11

este natal foi tudo pelo cano. tudo. até quem julgava que não tinha pressa. até quem julgava que não estava nessa. tudo. e eu mudo. e surdo e cansado de nada ver, nem ouvir e muito menos sentir. e eu que pensei, que por ser natal, nada se podia mal. como me equivoquei, olhando lá fora quantos prados queimados e terras antes férteis agora terrenos desprezados. a pesar no ar um aroma esgotado, viciado, no rescaldo do tanto que fora devastado. e ao relento incontáveis almas, numa incontável sofreguidão, sem fortuna ou mala pela mão, em longas horas de espera por uma entrada naquela barca que se dizia e queria a salvação. que ilusão. que por ser natal alguém nos iria dar a mão? olhei ao longe o mar e ele sentiu-me o olhar. pediu-me perdão mas que nada podia evitar. e eu como o entendi, neste fim de linha que era nosso, de todos, do ricaço ao sem abrigo. para o ano novo natal e, no seguinte, tal e qual. então já sem roupa no estendal, sorrisos francos ou escarninhos, brincadeiras de criança ou o que fosse que, mesmo parecendo mal, não se entendia como tal. ele seria sempre, nós por este ficaríamos. que tudo continua, indelével e indiferente à nossa passagem. breve como as horas que são cada quadra natalícia, no dorso suave de uma quase imperceptível aragem, reflexo fiel desta nossa viagem.

 

inédito de migalhas (100NEXUS_2011)

publicado por migalhas às 21:35
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