Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011

Há uma fuga furiosa

De quem preso na lama se ergue e grita

 

Há uma margem mínima

Para quem do mar se aproxima e clama

 

Quem me chama? Quem me chama?

 

Que este ar que respiro não é meu, é emprestado

Impregnado está na carne como a flor viçosa na terra

Num laço de dor, em tom de proibida cor

 

Lanço a chama e a palavra agudiza

Canto aos céus, não conto as marés

Tropeço nas letras que salpicam este manto

Entre todo este entulho onde enterro os meus pés

 

Sou ar, sou terra, sou por este mar adentro

Que o fogo é fátuo e de facto extinguível

Coração ao alto, mole, de manteiga

Sou pele, sou ossos, sou coisa sensível

 

Sou máquina ao retardador que tardiamente entende

Que o rio desagua no mar

E este meu frágil corpo na terra

Refúgio final, meu último lugar

 

inédito de migalhas (100NEXUS_2011)



publicado por migalhas às 21:55
TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.
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