TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

22
Dez 10

Juvenal nasceu no Natal.

Na precisa madrugada em que Jesus o salvador também o fez, tal e qual.

Dizem até que, com ele, uma nova estrela se formou no espaço sideral.

Uma estrela que serviu de guia a três estarolas estouvados que, após assaltarem uma estação de serviço e deixarem em mau estado o funcionário que teve a infeliz ideia de lhes fazer frente, rumaram ao que assumiram ser seu destino.

Mas antes disso, por pouco Juvenal não nascia no curral.

Sua mãe apenas teve tempo de se recolher no decrépito celeiro e entre a palha amontoada e uma cama improvisada, lá se dedicou à empreitada.

E se por um lado a vaca, que com o bafo o confortava, por outro a sua mãe, que com as tetas o alimentava.

Frio não passava e fome, nada o indicava.

Tudo assim se passou, mas seu pai em nada reparou, ocupado que estava ao fundo do corredor, com a mercadoria vinda do seu fornecedor.

Aí, num laboratório mal-amanhado, Maldonado subtraía qualidades ao produto puro que encomendara, ao qual, e em proporção inversa, lucro adicionava, o mesmo de que necessitava, para uma vida mais desafogada.

Quem deixara de gostar de ver o produto a ir e a dívida a subir, foi um outro rei, mago na forma como dominava o mercado daquele pó que fazia sonhar, mesmo não havendo Natal para celebrar.

Cansado de esperar, e já muito perto de se exaltar, o mago Baltazar apelou à boa-fé dos seus três estarolas e mandou-os o seu caloteiro cliente visitar, levando ao seu anunciado filho algumas ofertas de pasmar, como prova de que a sua boa vontade não estava para durar.

Enquanto o ciclo se cumpria, Juvenal progredia, nada mal, pelo que se via.

Aos olhos de sua mãe ele crescia, que dele o pai ainda nem sequer sabia.

O burro zurrava, a vaca observava e entre tantas tetas, Juvenal lá se consolava.

Obstinados em seguir a estrela de que se falava, a que o nascimento de Juvenal anunciava, a bem ou a mal, os três estarolas lá deram com o curral.

Senhor cá de um cheiro, e bastante enlameado, este antecedia o celeiro, ainda em pior estado.

E foi o burro, que visivelmente alterado, desatou a zurrar desenfreado, anunciando as visitas, que haviam chegado.

De surpresa apanhado, no seu cantinho ocupado, Maldonado nem tempo teve, de prever o seu fado.

Pelas costas baleado, sem saber ler nem escrever, nem nunca ele veio a saber, o que raio lhe foi acontecer.

A mãe bem berrou, o burro zurrou, mas o interesse dos três era o miúdo, que naquela hora com eles voou.

Ali ela ficou, prostrada entre a vaca e o burro, que o outro, o seu marido, por estupidez quinou.

Foi-se o produto, foi-se o puto, foi-se tudo e ela de luto.

Quanto a Juvenal, cresceu forte, fez-se marginal, tudo por obra e graça de Baltazar, o maioral.

E por que a memória tem destas coisas, foi numa ceia de Natal que Juvenal se recordou de Maldonado, ali estendido, ensanguentado, e tomado de um instinto quase animal, se atirou a Baltazar para enfim o destronar.

Dos três estarolas nem um sobrou, tal a forma como lhes chegou, mas deles a custo ainda arrancou, uma certa morada aonde regressou.

Embora rijo e a quase tudo habituado, receoso era o seu estado ali chegado, pois o que iria encontrar, era coisa que nem podia imaginar.

Sua mãe nem o reconheceu e, com medo do que fosse, com a canos serrados o recebeu e quase o abateu.

Foi por pouco que a tragédia não se consumou, que a sua mãe não o eliminou, e tudo por culpa do burro, que zurrou, zurrou e a ela o denunciou.

-       Filho meu, filho meu! Tanto tempo depois que foi que te aconteceu?

-       Tornei-me homem, minha mãe, e o meu destino encontrei. E agora que aqui te sei, não conto regressar sem comigo te levar.

-       Eu sabia que um dia, antes ainda de morrer, esta alegria eu teria, de te voltar a ver.

-       E agora ter-te aqui, em carne e em osso, faz-me lembrar o que nunca esqueci, o que só me aumenta o remorso.

-       Por isso, e antes que se faça mais tarde, é justo que saibas a verdade, agora que tens idade: Que o teu pai não era o Maldonado, mas aquele burro malvado.

-       Eu sei que pequei e por isso vou pagar, mas antes que penses em regressar, será que não queres ao menos comigo jantar?

Era ceia de Natal e por isso nada lhes podia cair mal. Nem mesmo os bifes rijos que nem cornos que um dia vigorosos haviam trepado à sua mãe para lhe dar a possibilidade de ser alguém.

Comeram em silêncio, numa singela homenagem, para depois, ainda atordoado, Justino seguir viagem.

Fora demais a revelação, tanta coisa num só serão, não fosse ser Natal e aquela ceia teria tido outra conclusão.

Ainda se tentou a presenteá-la, pois era noite de festa, pensou até numa bala, bem no meio daquela testa.

Mas de que serviria, agora que a burrice estava feita, mudar nada iria e maior seria a desfeita.

À mãe nunca perdoou, tê-lo deixado assim tão amargurado, mas a verdade é que nunca mais zurrou, qual jumento amaldiçoado.

publicado por migalhas às 22:09

hehehehehe nem sei q escrever..... mas este final, não contava eu de ler!
Prema Yoga a 22 de Dezembro de 2010 às 23:51

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