TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

22
Out 08

A minha vida começa às oito.

Não da manhã, mas oito da noite.

Até lá, às oito de cada noite, apenas finjo a vida.

Faço o que todos fazem, vou onde todos vão, falo e ouço o que todos falam e ouvem.

Até lá, às oito da noite, sou uma pálida imagem do que pretendo ser, sou um faz de conta que soma afazeres e coisas inúteis, até às oito da noite.

Depois dessa hora, dessa fronteira que tarda em chegar a cada dia, e quando as pétalas já preparam a despedida de mais um punhado de horas luminosas e se encerram até nova aurora, sou eu quem floresço e acordo rumo ao que resta da vida que o dia ainda tem para me proporcionar.

Depois revelo-me.

E acordado desse estado sonâmbulo que até aí experimentei, faço-me então ao âmago da minha vida, completo junto dos que me são mais, junto dos que me olham, respeitam e admiram pelo que sou e nunca pelo que esperam que seja.

Depois das oito badaladas, das oito badaladas da noite, viajo pelo mundo do que para mim é a realidade e que só então me é finalmente permitida, tantas horas depois.

É como quem chega a casa depois de mais um dia de entediante labuta, de inconsequentes ilusões, e liberta o seu cão, até então ali fechado a sete chaves, num apertado apartamento moderno que lhe serviu de prisão e lhe toldou movimentos, lhe impediu a vida por quantas horas ali permaneceu.

Assim sou eu, até às oito.

Até às oito de cada noite.

publicado por migalhas às 22:32

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