TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

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Mar 08
Hoje nem sei que dia é. Sei que acordei e dei comigo desperto para mais um dia. Mas desse dia nada sei, nem que dia é, nem que me espera ou aquilo com que me pretende brindar. São impessoais, os dias, todos. Cada um, cada novo dia, parido do dia que o antecedeu, enverga uma frieza que é a sua frieza e com a qual nos contagia. Uma frieza que fica à espera, à nossa espera, que nos aguarda indicações para que o gelo se quebre e o dia ganhe alguma coisa nossa, com que nos possamos identificar, porque, de resto, os dias são amorfos, são-nos membros esquartejados, parcelas omitidas, são-nos o que desconhecemos, sem qualquer relação senão a que herdamos da manhã, da tarde, da noite e de novo ciclo que acaba neste dia e se ergue ao nascer do próximo.
E mais um dia, um dia que desconheço, um dia que nem sei qual é, o que me irá mostrar, trazer até mim. Pois que todos são impessoais, espaços de tempo iguais em que me introduzo, me imiscuo, e nos quais me revelo e me descubro. É o que sei dos dias, apenas isto. Deste que hoje visto, daqueles que amanhã me serão a carne, me serão a pele, me serão cada respirar, num conjunto de passos que colecciono, eu, coleccionador de dias que desconheço.
publicado por migalhas às 12:01

Muito, muito bom este texto! Tens sempre o elemento novidade à mão e sabes utilizá-lo!
Nós, em literatura, acabamos sempre por focar temas que já foram focados por outros. É inevitável. É desejável, até. A grande maravilha está (ou não) na forma como o fazemos! e tu consegues maravilhar-me com frequência.
Abraço!
Maria João Brito de Sousa a 29 de Março de 2008 às 01:16

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