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TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

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Naquela hora

por migalhas, em 27.12.07

Naquela hora, que não outra, moviam-se as partes, num todo profundo.

Era a hora, que nunca seria outra, exclusivo irrepetível deste incansável mundo.

Três são os ponteiros, um vagueia vagabundo, enquanto os outros o empurram apressados.

Correm rumo à hora, aquela hora, todas as horas, na sequência que dita o tempo.

E não há quem os pare, quem a pare, àquela hora, que não é outra, mas que se cola e soma a todas as outras, numa corrida que não se ganha.

É deste somatório, sempre crescente, que nasce a aurora que morre a poente e nesse breve ser e estar a luz se faz, para logo se cansar e no escuro se ir deitar.

Naquela hora, num mero instante, apenas aquilo se perfaz e nada mais.

Não adianta querer forçar, o tempo antecipar, prever ou sequer planear, pois naquela hora não mais do que aquilo nela terá lugar.

É assim, sempre o será e nada nem ninguém o ousarão desafiar.

Pois que não sabem, não podem, não naquela hora, nem em hora nenhuma.

Esperou uma vida inteira para nascer e mal se perfaz logo se vê morrer.

Não é uma hora qualquer, é aquela hora.

Eternidade fugaz, apenas aquela, nenhuma outra.

Ali se fez, por instantes vingou, e é num encantatório voo de mariposa que deposita toda a sua essência, depressa feita ausência, coisa distante, a ficar para trás.

Naquela hora foi, aconteceu.

Depois em paz, sem querer incomodar, lentamente se desvaneceu, foi.

Partiu e de si apenas nos deixou a breve marca cravada na carne da nossa existência.

Soubemo-la real, todas o são, somos nós a prova.

Naquela hora foi ela, aquela hora e nada mais.