TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

18
Dez 07

(Cont.) E talvez por assim ser, nela se introduziu para tentar um pouco de merecido descanso. Pouco lhe restava de órgãos vitais, senão um sofá já muito puído e empoeirado, umas quantas cadeiras, algumas impossibilitadas de cumprir com aquilo para que foram produzidas, uma ou outra cortina em tentativa vã de obstruir a visão para o seu interior quase despido e pouco mais. Do que fora em tempos, de toda a sua majestosa presença de então, já nada ali havia que estabelecesse uma ligação com esse seu período áureo, de manifesta glória. Nada de nada. Apenas a sobranceria com que ainda se impunha do alto dos seus dois pisos e assim tentava prolongar um respeito que lhe fora injustamente subtraído com o passar dos anos. Mesmo assim, aquele velho e agastado sofá teve o mérito de atrair o corpo pesado do velho barbudo, que nele se confortou para, por breves instantes, cerrar os olhos e deixar-se levar. Breves, mas suficientes para atrair atenções. Mas de quem, se já ali ninguém habitava? Ninguém… talvez. Mas será que seis pijamas de flanela, todos eles com motivos vários alusivos ao Natal, movendo-se vazios de qualquer conteúdo em roda daquele enorme intruso, poderiam ser considerados ninguém? Ninguém físico, talvez. Gente de carne e osso, munidos de cabeça, tronco e respectivos membros, sim. Com essas características, nada ali habitava, de facto. Mas que ali havia uma presença, ou seis, e que a mesma, ou as mesmas, se faziam bem notadas, disso deixara de haver qualquer dúvida. (A continuar...)

publicado por migalhas às 10:20

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