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TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.

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Espíritos de Natal - Parte 1

por migalhas, em 17.12.07

Estava prestes a terminar a sua ronda. A ronda de todas aquelas noites. Tantas que já nem se lembrava de quantas. E se nenhuma se repetia, havia, no entanto, um pormenor que propositadamente mantinha inalterado ano após ano: Para o fim, deixava o melhor. Ou, quiçá, a mais inusitada de todas as visitas. Aquela com que fechava cada novo ciclo de fazer chegar a milhões de crianças em todo o mundo a tão ansiada felicidade, propagandeada à boca cheia por esta altura. Uma tarefa árdua, para a qual possuía uma única noite por ano, a noite da consoada. Ainda assim, mesmo com tamanha limitação de tempo, tal nunca fora impeditivo de cumprir com esta sua obrigação de sempre. Cansativa, é certo, mas cumprida à risca, com aquele rigor e profissionalismo que lhe eram, desde há muito, reconhecidos. Mas um ano houve em que se deu a tal “revelação” que veio revolucionar cada epílogo desta sua missão. Um ano como tantos outros, não fosse ter aproveitado a proximidade daquela mansão abandonada para retemperar as suas forças e mais descansado voltar ao trabalho. Julgava ele que abandonada. Se bem que daquele aspecto sujo, deteriorado, desprezado mesmo, se depreendesse essa ideia óbvia, a verdade é que a sua majestosa imponência escondia anos de histórias, de esplendor, de muitas e muitas vidas que nela haviam encontrado guarida segura, de grandes e badaladas festas, bailes, celebrações mil que acolhera nos seus vastos salões, então percorridos pelo fervor de outros tempos. Momentos épicos, hoje esquecidos, hoje apenas e só parte do passado de alguns poucos, daqueles que haviam tido a fortuna de lhe conhecer as entranhas e por lá se sujeitaram a experiências sem paralelo. Mas disso ele não tinha conhecimento. (A continuar...)