Terça-feira, 28 de Outubro de 2014

Para onde quer que fosse, ia sempre com ele atrás. Juntos, sempre juntos, colados, ambos iam para todo o lado, um adiante do outro ou o outro na peugada do um, inseparáveis, para onde um fosse, o outro lá estava, seguindo-o religiosamente. Quem os visse diria que eram uma só entidade, frente e verso, quais gémeos siameses cujo destino era viverem em simbiose perfeita, como castigo divino, pesada cruz ou má sorte que lhes calhara em sina, tu cá tu lá, numa promessa inquebrável de eterna fidelidade. Mas que havia mais assim, afinal muitos mais, imensos, que lhe viravam as costas, é certo, mas todos por igual atados àquele seu perseguidor implacável, que a cada pisada os seguia, numa devoção quase doentia. Eu, tu, a tua tia, cada um à sua maneira a senti-lo que nem um passo atrás, logo ali, bastaria um rodar de cabeça e ei-lo, risco ao meio, eloquente, por vezes falador demente, a deixar-nos mal com o seu hálito quente. E o cansaço, de o trazer sempre agregado, sem sequer agradecer o transporte gratuito, pois para onde eu vou ele vai. Eu, tu, ele, nós todos e sabe-se lá quantos mais. Sempre com ele a reboque, que já não há cu para este outro que não nos larga da mão, sempre na traseira, a nossa popa, incansável na sua fúria de nunca querer ficar para trás, mas que remédio ele tem, e nós também.

 

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publicado por migalhas às 22:29
Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

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«Os crimes do Monograma», de Sophie Hannah

Um dos protagonistas míticos de Agatha Christie, Hercule Poirot está de regresso em «Os Crimes do Monograma». Coube a Sophie Hannah a honra de perpetuar a mística do detetive mais famoso do Mundo, algo que felizmente consegue, principalmente por renegar os elementos do thriller de hoje. Tudo começa numa cafeteria de Londres, quando uma jovem entra no estabelecimento e um caso “encontra” Poirot, um caso que envolve três mortes aparentemente distintas num hotel de luxo em Londres.
Hannah apresenta uma trama clássica, jamais renegando o que fez de Poirot um dos personagens mais conhecidos da literatura mundial, a sua invulgar perspicácia e deduções. Aos poucos, sem pressa, com calma e sem subterfúgios menos nobres, o detetive procura desvendar o enigma, numa agradável história de mistério, com Poirot a mostrar que ainda está em forma, apesar dos anos. É verdade que, por vezes, parece que o detetive de Agatha Christie está à frente de tudo e todos e que algumas descrições dos locais são muito ornamentadas, mas Hannah, um dos principais nomes dos policiais dos nossos dias, passa com louvor o teste de dar uma nova vida ao emblemático detetive francês.
A inglesa prova mais uma vez que é uma exímia criadora de mistérios, embora tenha “fugido” um pouco do que habitualmente escreve, já que estamos perante um livro com um ritmo mais pausado, mais moroso, ao contrário do que é vulgar nos policiais de hoje, que são muito mais dinâmicos e menos descritivos.
No entanto, seja no passado ou no presente, o principal mérito dos livros policiais é sempre manter a dúvida sobre o assassino até ao final e é isso que Hannah consegue.
Nota ainda para o detetive Edward Catchpool, amigo de Poirot e encarregado de investigar o triplo homicídio. Cabe ao investigador da Scotland Yard mostrar alguns dos passos do detetive mais famoso do mundo, por vezes frustrado pela astúcia do seu companheiro, o que acaba por trazer algum humor a história.

 

Fonte: DD



publicado por migalhas às 16:57
Quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

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Joshua Ferris. Autor norte-americano finalista do National Book Award, com este romance, e este ano finalista do Man Booker Prize, com a sua mais recente obra "TO RISE AGAIN AT A DECENT HOUR".
 
 
Durante vinte anos de casamento, Tim e Jane Farnsworth saborearam os frutos do trabalho dele como advogado de sucesso: vivem numa casa confortável, fazem férias em locais exóticos, não têm quaisquer preocupações financeiras. Tim venceu por duas vezes uma bizarra e inexplicável doença, mas tais episódios, embora não completamente esquecidos, fazem parte do passado. É então que a doença regressa, obrigando-o a comportar-se de uma forma assustadoramente nova. Tim é empurrado da sua confortável existência para uma vida que não reconhece, e isso vem pôr à prova a constância do amor de Jane. Até onde irá Tim para combater as incompreensíveis reacções do seu corpo, e o que arriscarão ambos para encontrar o caminho de volta um para o outro?

Ao mesmo tempo uma comovente história acerca da família e do casamento e uma reflexão sobre as invisíveis forças da natureza, Sem Rumo é um romance profundo e brilhante sobre a vida moderna, anseios antigos, o medo do desconhecido e daquilo que não podemos controlar e o poder das relações humanas.


publicado por migalhas às 19:39
Quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

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E com este “The Narrow Road to the Deep North”, o escritor australiano Richard Flanagan venceu o Man Booker Prize de 2014.

 

Flanagan´s, de 53 anos, é o terceiro australiano a vencer o prestigiado galardão, noticia a agência francesa France Presse.

O livro conta a história de Rodrigo Evans, um cirurgião preso num campo de trabalho na Tailândia-Birmânia.

“Os dois grandes temas do berço da literatura são o amor e a guerra: este é um romance magnífico de amor e guerra”, disse o académico AC Grayling, que apresentou o prémio, na cerimónia em Londres.

O especialista sublinhou que “este é o livro que Richard Flanagan nasceu para escrever”.

O prémio inclui um troféu e a quantia de 63.000 euros.

Autor de “The Sound of One and Clapping” (1998) e “Wanting” (2008), Flanagan declarou que a ideia do chamado “caminho de ferro da morte” influenciou a sua vida.

“Em criança, o meu pai ensinou-me as palavras japonesas 'san byaku san ju go'. Era o seu número, 335, pelo qual respondia como trabalhador escravo dos japoneses na ferrovia da morte”, lembrou Flanagan.

Flanagan trabalhou no romance durante 12 ano e o pai morreu no dia em que terminou o livro.

 

Fonte: DD



publicado por migalhas às 10:30
Sábado, 11 de Outubro de 2014

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Este romance, publicado em 1965, viu-se caído no esquecimento tal como o seu autor, John Williams – também ele um obscuro professor americano de uma obscura universidade. Passados quase 50 anos, o mesmo amor à literatura que movia a personagem principal levou a que uma escritora, Anna Gavalda, traduzisse o livro perdido. Outras edições se seguiram, em vários países da Europa. E em 2013, quando os leitores da livraria britânica Waterstones foram chamados a eleger o melhor livro do ano, escolheram uma relíquia. Julian Barnes, Ian McEwan, Bret Easton Ellis, entre muitos outros escritores, juntaram-se ao coro e resgataram a obra, repetindo por outras palavras a síntese do jornalista Bryan Appleyard: “É o melhor romance que ninguém leu”.Porque é que um romance tão emocionalmente exigente renasce das cinzas e se torna num espontâneo sucesso comercial nas mais diferentes latitudes? A resposta está no livro. Na era da híper comunicação, Stoner devolve-nos o sentido de intimidade, deixa-nos a sós com aquele homem tristonho, de vida apagada. Fechamos a porta, partilhamos com ele a devoção à literatura, revemo-nos nos seus fracassos; sabendo que todo o desapontamento e solidão são relativos – se tivermos um livro a que nos agarrar.

Aqui ficam algumas das capas que embelezaram as suas edições por esse mundo fora e, por fim, a que nos brinda agora a nós, em Portugal.



publicado por migalhas às 18:30
Quinta-feira, 09 de Outubro de 2014

O Nobel da Literatura 2014 publicado em Portugal:

 

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«O Horizonte»
«Jean Bosmans, um homem frágil perseguido pelo fantasma da mãe, recorda a sua juventude e as pessoas que entretanto perdeu. Sobretudo a enigmática Margaret Le Coz, a jovem mulher por quem se apaixonou nos já longínquos anos 60 e que um dia misteriosamente desapareceu. Quarenta anos depois, Bosmans parte à procura desse amor que a memória teimosamente conservou»

 

 

 

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«No Café da Juventude Perdida»
Paris, anos 60. No café Condé reúnem-se poetas malditos, futuros situacionistas e estudantes. À nostalgia que impregna aquelas paredes junta-se um enigma personificado numa mulher: todas as personagens e histórias confluem na misteriosa Louki. Quatro homens contam-nos os seus encontros e desencontros com a filha de uma empregada do Molin-Rouge. Para quase todos eles, ela encarna o inalcançável objecto de desejo. Louki, tal como todos os boémios que vagueiam por uma Paris espectral, é uma personagem sem raízes, que inventa identidades e luta por construir um presente perpétuo. Modiano recria em redor da fascinante e comovente personagem desta mulher a Paris da sua juventude, enquanto constrói um maravilhoso romance sobre o poder da memória e a busca da identidade.

 

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«Na Rua das Lojas Escuras»

Este foi o primeiro romance de Patrick Modiano e mereceu edição em Portugal no ano de 1987 pela Relógio D’Água, tendo sido traduzido por Ana Luísa Faria e Miguel Serras Pereira. A obra recebeu o Prémio Goncourt em 1978.

 

«Deu-se então em mim uma espécie de estalido. O panorama que se avistava daquele quarto provocava-me um sentimento de inquietação, uma apreensão que eu já conhecera. Aquelas fachadas, aquela rua deserta, aquelas silhuetas de sentinela no crepúsculo perturbavam-me à maneira insidiosa de um perfume ou de uma canção outrora familiares. E tive a certeza de que muitas vezes, àquela mesma hora, ficava ali, imóvel, à espreita, sem fazer o mínimo gesto, sem ousar sequer acender a luz. Quando tornei a entrar na sala, julguei que já não havia lá ninguém, mas afinal estava a dona da casa estendida no banco de veludo. Dormia. Aproximei-me silenciosamente e sentei-me na outra ponta do banco. Uma bandeja com um bule e duas chávenas, no meio do tapete de lã branca. Tossi um pouco. Ela não acordou. Então, deitei chá nas duas chávenas. Estava frio.»



publicado por migalhas às 12:33
Quinta-feira, 09 de Outubro de 2014

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O romancista francês Patrick Modiano é o vencedor do Nobel da Literatura deste ano.

Patrick Modiano nasceu em Boulogne-Billancourt, nos arredores de Paris, em Julho de 1945, e publicou o seu primeiro romance, La Place de l'Étoile, em 1968. Com Rue des boutiques obscures obteve, em 1978, o Prémio Goncourt. Em 1972, recebeu o Grande Prémio de Romance da Academia Francesa.

Considerado um dos mais importantes escritores franceses, e autor de uma vasta obra, Modiano foi distinguido recentemente com o Grande Prémio Nacional das Letras e com o Prémio Margerite-Duras. Modiano, de 69 anos, é autor da "Trilogia da Ocupação". Em Portugal o autor não é muito conhecido, tendo três livros traduzidos, «O Horizonte», da Porto Editora, «No Café da Juventude Perdida», da ASA, considerado o melhor romance de 2007 segundo a revista Lire, e «Na Rua das Lojas Escuras», primeiro romance do autor e vencedor do Prémio Goncourt em 1978 que mereceu edição em Portugal no ano de 1987 pela Relógio D’Água.



publicado por migalhas às 12:13
TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.
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