Sexta-feira, 22 de Setembro de 2006

É graças a notícias como as que se seguem, que considero que tudo é permitido nesta autêntica república das bananas em que vivemos. O termo "cara de pau", trazido do criativo léxico dos chamados “nossos irmãos” do lado de lá do Atlântico, aplica-se cada vez mais com uma oportunidade tão flagrante como as acções que estiveram na origem destas polémicas. Mas vamos ao deslumbramento que as notícias nos incutem. A primeira reza assim:

 

Paços de Ferreira: Ronny quer repetir exibição de Alvalade
Depois de ter ficado famoso, na última jornada da Liga, por ter marcado o golo que derrotou o Sporting com o braço, o avançado brasileiro do Paços de Ferreira, Ronny, já afirmou, esta quinta-feira, que espera conseguir repetir a façanha frente ao Benfica, de forma a manter a liderança da lista de melhores marcadores do campeonato.
Em declarações à Rádio Renascença, Ronny garantiu que «se aparecer a oportunidade vou procurar estar tranquilo para fazer o golo».

 

A seguinte notícia, coloca-nos perante o que poderia e deveria, em condições normais, ser considerado motivo de repúdio, de contestação, mas que, face ao desplante, se fica por motivo de risota. Ou será de gargalhadas a bandeiras despregadas? Não sei, mas que dá vontade de rir, ai isso dá. E muito. Diz então:

 

João Ferreira entre os árbitros propostos pela FPF à FIFA

O árbitro dos polémicos Boavista-Benfica e Sporting-Nacional, João Ferreira, foi um dos designados pela Federação Portuguesa de Futebol para integrar a lista de juízes internacionais referentes a 2007 a ser entregue à FIFA.

 

É preciso dizer mais? Ou como dizia o outro: palavras para quê? São artistas portugueses.

 



publicado por migalhas às 10:58
Segunda-feira, 18 de Setembro de 2006

Imaginem um grupo de crianças que possivelmente sempre tiveram uma vida de privação, que sempre viveram na maior das pobrezas, completamente delirantes com uma distribuição de prendas provavelmente inédita nas suas vidas. Imaginem a alegria, o entusiasmo, a excitação própria de várias crianças face à oferta de brinquedos com que nunca sequer imaginaram, de guloseimas apenas ao alcance de crianças dos países mais desenvolvidos ou de peças de roupa que nem sequer sabiam existir. Imaginem o clima de festa, o ambiente de boa disposição. Imaginem tudo isto, não é difícil. Difícil é imaginar o que se passou de seguida. Subitamente, sem que ninguém nem nada o fizesse prever, a intromissão do inconcebível. Do inimaginável, do impensável. Um cidadão obcecado pelo ódio cego, um louco sem ponta de compaixão, um animal à solta, que, insensível e alheio à beleza do momento, se propõe a distribuir uma outra oferenda. Uma oferenda de dor, de sofrimento, de tudo aquilo que é banal e que sempre preencheu a vida destas crianças. Um fundamentalista sem outras ambições que não as de ser veículo do mal, joguete nas mãos da morte. Um bombista suicida que despoleta os engenhos que abraçava e que quebra a magia que por momentos ali reinou. Breves voltaram a ser os instantes em que o dia-a-dia conturbado se ausentou para logo retomar o seu posto, qual guardião sempre atento. Pois que esta é uma região do mundo que não merece tréguas, sendo talhada apenas para o negro cenário do terror. Entre mortos e feridos, é a esperança que uma vez mais sucumbe e se vê impedida de brilhar. Não aqui, onde o ideal primário é a vingança, o ódio, a morte. Não aqui, onde o fundamentalismo islâmico se esconde por detrás de uma guerra a que chamam santa, rótulo que a torna permitida e aceitável aos olhos de alguns. Aos olhos cegos daqueles que nada mais vêem do que o proliferar da desgraça humana, do disseminar da tragédia, abrindo caminho a um reino de trevas que pretendem ver vingado sobre a face deste planeta moribundo. E depois têm o descaramento de ficarem ofendidos com a certeira e incómoda verdade que provém das declarações do Papa. Pois fé alguma, religião alguma, justifica o recurso às armas, o recurso à guerra, ao conflito armado, ao derramamento de sangue. O simples conceito de guerra santa é todo ele uma anedota. Pois são termos, conceitos, se quisermos, que não coabitam, não se entendem. Como a água e o azeite não se misturam. Pois um defende a paz, o respeito pelo próximo, o recurso à palavra como resolução de todo e qualquer mal entendido. Enquanto o outro, por si só, diz tudo: guerra é guerra. Aqui ou em qualquer parte do mundo. E isso é fácil de entender. Fanáticos pelo derramamento de sangue, escudam-se num termo patético para justificarem o que não tem qualquer justificação. Matar, destruir, criticar, odiar, é o que de mais fácil existe. E se é isso que certas religiões defendem, então estão uma vez mais a empregar um termo incorrecto. Pois de religioso, esse pensamento deturpado e doentio nada tem.  



publicado por migalhas às 17:42
Quinta-feira, 14 de Setembro de 2006

Faz hoje 10 anos que cometi um dos actos mais fantásticos de que guardo, e guardarei sempre, ternas memórias. Um acto premeditado, assumido e que passados 10 anos está ainda tão presente. Como uma chama viva que teima em manter-se acesa, alumiando um caminho que é cada vez mais uma viagem cheia de histórias para contar. Se começámos esta jornada apenas os dois, hoje já somos três e, quem sabe as coisas não fiquem por aqui. O fruto daquilo que partilhamos há tanto tempo, muito para lá destes 10 anos, é hoje uma realidade que dá um novo ânimo à relação (como se tal fosse necessário). Não são 10 dias, nem 10 meses. São 10 anos de união que com todos os seus contratempos se tem saldado por um desejo cada vez maior de seguir em frente. De continuar a descobrir o tanto que cada um ainda tem para surpreender o outro. Para partilhar com o outro. Para oferecer ao outro. Talvez seja aquilo a que vulgarmente chamam de AMOR. Embora este nosso nada tenha de vulgar, a meus olhos. O próximo objectivo são os 11. E depois os 12, os 13 e por aí fora. O maior objectivo é mesmo perdurar no tempo este relacionamento que um dia aconteceu e que há 10 anos se selou com ambos a darem o sim, até que a morte nos separe. Sou um homem de palavra e por isso conto cumpri-la. Não estou sozinho nesta demanda e isso ainda a torna mais entusiasmante, mais apetecível. Faz hoje 10 anos. Era sábado, estava um dia magnífico de sol, mas eras tu que brilhavas, linda como nunca mais o irei esquecer. Proponho-te mais 10 anos. E depois desses, que tal o resto da vida? Deixo à tua consideração. Da minha parte, tens o amor, o respeito, a dedicação que uma relação como a nossa merece. Ontem, como hoje, amo-te e considero-te a mulher da minha vida. Conto contigo para lhe continuar a dar sentido, a cada dia, a cada minuto, a cada segundo. Faz hoje 10 anos que te desposei. Voltaria a fazê-lo, sem hesitar. E de nada me arrependo após todos estes anos. São para ti estas palavras, que te entrego junto com o meu coração.



publicado por migalhas às 11:35
Terça-feira, 12 de Setembro de 2006

Um estudo agora concluído, vem confirmar o que eu há muito já desconfiava: de que lavar a louça à mão gasta muito mais água do que lavá-la na máquina. 10 Vezes mais, para ser mais correcto. Eu bem sabia que havia uma forte e válida razão para detestar lavar a louça. Uns investigadores alemães, responsáveis pelo estudo, concluíram ainda que a louça lavada na máquina fica mais limpa do que se for lavada à mão e que o electrodoméstico consome a mesma quantidade de água independentemente do número de peças que lava. Isto para além de que, ambientalmente, é mais correcto usar a máquina de lavar. Só para se ficar com uma ideia aproximada, sabe-se agora que lavar louça com a torneira meio aberta durante 15 minutos representa um consumo de, aproximadamente, cem litros de água, enquanto uma máquina de lavar com capacidade para 44 utensílios e 40 talheres gasta apenas 40 litros ou, nalguns casos, até menos. Finalmente alguém que me dê razão quando me oponho frontalmente a meter as mãos ao barulho para eliminar as louças dos seus restos de comida. Para alguma coisa inventaram as máquinas. Se não foi para nosso conforto e descanso, então que seja para poupar os recursos hídricos do nosso país, do nosso mundo. Por que a água é cada vez mais um bem precioso que, por este andar, em breve será apenas de uma imensa minoria. Que se prevê sejam aqueles com capacidade monetária capaz de a adquirir então ao preço do ouro. Até lá, vamos a dar uso a uma das mais úteis invenções dos últimos tempos. Ela que trabalhe para nós e, ao mesmo tempo, para o bem do planeta em que (ainda) vivemos.



publicado por migalhas às 18:20
Sexta-feira, 08 de Setembro de 2006

Those who write clearly have readers, those who write obscurely have commentators.

Abraham Lincoln (1809-1865)



publicado por migalhas às 17:23
Sexta-feira, 08 de Setembro de 2006

Cansado de receitas feitas à base de imaginação e essencialmente de matéria-prima disponível no momento, resolvi ir almoçar fora. Há já algum tempo arredado destas andanças pelo mundo da restauração, nem me preocupei muito com a selecção do meu destino. Entrei no primeiro local que encontrei com um mínimo de bom aspecto e sentei-me. Não tive de esperar muito pela chegada do prestável empregado. Com um sorriso que lhe preenchia o rosto de orelha a orelha, estendeu-me a lista e indicou-me os pratos do dia. Afinal as coisas não tinham mudado assim tanto desde a última vez. Uma olhadela rápida pelos pratos disponibilizados e a opção recaiu sobre uns carapauzinhos fritos com arroz de feijão. Solícito, o jovem brasileiro desde logo me advertiu para o valor das taxas extra que ali praticavam.

- Taxas extra? – Perguntei algo sem jeito.

- Sim, sim, é a nova legislação. No seu caso, por exemplo, e uma vez que está cá dentro, terá de pagar uma taxa especial pelo espaço que  está a ocupar e pelo uso do ar que aqui respira, que é taxado ao minuto. Se for lá para fora, para a esplanada, está isento dessa taxa, mas terá de pagar uma outra de deslocação. Da minha deslocação para ali o servir, está a ver?

- Hum...

- Tem também a taxa relativa ao uso da cadeira em que está sentado e da mesa em que será servido, dos talheres e copos que usar e da mão-de-obra do nosso cozinheiro. Isto para lá, claro está, do preço do prato, bebidas e afins que consumir.

- ‘tou a ver. – Saiu-me sem a mínima convicção.

- Posto isto, está preparado para pedir?

O almoço não correu como eu esperava, mas ainda assim conseguir usufruir de uma refeição minimamente acessível. Embora para isso tenha de ter comido na esplanada, em pé e usando como receptáculo dos carapauzinhos fritos e do arroz de feijão um canudo improvisado na hora a partir do jornal que, felizmente, levara comigo. Claro que tive de me servir eu mesmo lá dentro e prescindir de bebidas e sobremesas. De regresso a casa, passei pelo supermercado lá da rua e abasteci-me a valer! Estava agora convencido de que a minha imaginação tinha ainda muito para dar. Principalmente se não houvesse míngua de matérias-primas!



publicado por migalhas às 15:17
Quarta-feira, 06 de Setembro de 2006

Mais uma passagem de olhos pelas últimas notícias e mais um balde de água gelada, patrocinado uma vez mais por este nosso executivo. Desta vez no que respeita à nova lei do tabaco, que proíbe o fumo em bares, restaurantes e discotecas. Uma lei que desde a primeira hora mereceu o aplauso meu e de muitos outros não fumadores que assim acreditavam ser possível que, finalmente, alguém se propusesse a respeitar e preocupar-se com a saúde pública. A coisa foi-se arrastando penosamente e hoje vem a lume que esta mesma lei só deverá entrar em vigor daqui a três ou quatro anos. E qual é a desculpa dada para que tal aconteça? Segundo o nosso ministro da Saúde (?) “Trata-se de uma adaptação à realidade», justificando a decisão com o facto de a maioria dos portugueses considerarem que os bares e restaurantes devem poder escolher se querem ou não ser livres de tabaco. Desde quando o governo dá ouvidos aos portugueses no momento de validar uma lei? E permitir escolher? Então, sendo assim, eu também deveria poder optar por pagar IRS ou não, por pagar sisa ou não, por pagar imposto camarário ou não, imposto automóvel e por aí adiante. Escolher? Numa matéria que mexe claramente com a saúde pública? Este senhor que se diz ministro da saúde deve é ter um belo lobby na indústria farmacêutica. Ou então deveriam arranjar-lhe um outro cargo governamental, talvez de ministro da oncologia. É ridículo este senhor vir agora conceder um período transitório e de adaptação às novas regras, para permitir aos proprietários dos estabelecimentos com uma área superior a 100 metros quadrados decidirem se terão, ou não, espaço para fumadores. Um período transitório de 4 anos? Só mesmo neste país! Desde quando uma lei espera pelos contribuintes para ser aplicada? Só uma lei que não tenha interesses monetários para o governo. Pois pelo que tenho presenciado, publica-se a lei, aplica-se a mesma e dá-se um período de escassos meses para todos se adaptarem. E quem estiver mal, que se mude. Com medidas destas, parece-me que esta será claramente uma lei para ser esquecida. E depois venham falar do aumento de mortes por cancro, resultantes do tabaco. Mais uma nódoa deste governo, mais uma clara falta de respeito por quem se preocupa com a sua saúde e que desta forma tem de continuar a coabitar com quem se está a borrifar para o facto de o tabaco prejudicar este ou aquele. Que tristeza de país este. Nem assistindo ao exemplo de grandes nações, onde a lei existe e é respeitada por todos, este governo consegue dar mostras de ter a intenção de fazer algo sobre o assunto. Quem se fica a rir é essa imensa minoria que assim vai continuar a fazer pela morte, sua e dos que os rodeiam.



publicado por migalhas às 10:54
Segunda-feira, 04 de Setembro de 2006

Não bastava ter sido o primeiro dia de trabalho após o regresso de uma primeira experiência de férias a três, de ter saído de casa atrasado e deparado com os primeiros indícios do regresso à estrada dos milhentos carros que todos os dias nela circulam, de ter recebido um briefing para um concurso com a apertada data de quinta-feira próxima, não bastava tudo isto, ainda tinha de ser brindado com as mãozinhas hábeis de um estuporado de um larápio que assim me aliviou do meu telemóvel pessoal. Uma maquinazinha de 3ª geração, que tirava fotos com uma definição incrível e onde tinha, para além das recentes fotos das ditas férias a 3, todos os contactos (e se eram muitos!) de quantos tenho o prazer de conhecer. Ou como uma pessoa se sente despida na ausência desta invenção que já parece fazer parte de nós, tal e qual os dentes que possuímos, as unhas ou os dedos, com que calcamos cada uma das suas iluminadas teclas. Fiquei sem telemóvel e mais do que isso sem saber como contactar todos os que conheço. Uma sensação de isolamento apossou-se de mim, pois parece que hoje já ninguém chega a ninguém senão por intermédio deste aparelhómetro estúpido que nos faz escravo das suas múltiplas funções. E com este revés, lá vem mais uma despesa que era mesmo o que eu estava a precisar depois do regresso de umas férias a 3. Se calhar vou aproveitar a situação e experimentar ficar uns tempos assim, isolado do mundo, a ver se me agrada a sensação. Quem sabe esteja aí o segredo de dias sem preocupações, sem stresses, sem dores de cabeça que antes não me atormentavam. Às vezes mais vale viver na ignorância, longe do mundo. Se Robinson Crusoe sobreviveu e depois dele todos nós antes da existência de telemóveis, por que não regredir no tempo e tentar a vida de antigamente? Vivia-se sem eles, não vivia? Então... Uma coisa é certa: deste regresso de férias tão depressa não me irei esquecer. Disso tenho eu a certeza.     



publicado por migalhas às 18:47
TUDO É ILUSÃO, DESDE O QUE PENSAMOS QUE PODEMOS AO QUE JULGAMOS QUE TEMOS.
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